domingo, 19 de dezembro de 2010

TENHO MEDO


Tenho medo. Tenho medo de te esquecer. Tenho medo de esquecer a tua imagem, de não me lembrar da tua recordação, de fechar os olhos e não ver com nitidez o teu rosto e o teu sorriso.

A adversidade torna-nos mais fortes, mas eu sinto-me fraca. Quando se aprende a lição a dor desaparece, mas a minha dor não passa. Será que sou uma aluna assim tão má que não consiga aprender!?

Descobri que nós somos um bocadinho de nada. Nada é como nós pensamos e eu nunca me achei assim tão fraca. Mas agora sim! Sou fraca e estou no limite da minha fraqueza. Tenho medo de não saber viver sem ti, mas sobretudo tenho medo de perder as nossas recordações... Quero seguir em frente e preciso de ajuda! Não sei como fazê-lo. Estou a tornar-me num fardo demasiado pesado para se carregar...

O tempo não volta... O tempo não volta... Esta frase faz eco na minha cabeça... e as ofertas que a vida me está a dar? Não sei o que fazer! Não quero trair a tua memória, a tua recordação... As oportunidades são como o nascer do sol; se esperarmos demasiado vamos perde-las. Não sei o que fazer! Viver é cair num labirinto sem portas e eu quero sair daqui, mas tenho medo...

Tenho medo...

Tenho medo...

Medo...

ESTOU À ESPERA QUE O TEMPO CURE‏


Hoje vim visitar-te. Tentei evitar a confusão. Sei que todos te vêm ver e que todos sentem a tua falta... Eu quis vir sozinha. Precisava deste momento a sós contigo. Já não podes ir ter comigo. Agora sou eu que tenho de me deslocar. Não me importo! Mas gostava de te encontrar noutro local que não aqui. Sinto a falta do teu abraço! Do teu sorriso, das nossas conversas e dos nossos carinhos... Agora falo para ti! Não me respondes mas eu quero crer que me escutas. Não sei se aguento a tua ausência. Já não consigo ser a mesma pessoa... Faço um esforço para sorrir... Estou triste mas sei que não me queres ver assim... Eu tento agradar-te como sempre fiz. Tento seguir as tuas palavras e os teus conselhos. Todo o meu esforço é dedicado a ti! Para onde foram os nossos planos? Já não significam nada porque não podemos cumpri-los juntos! Estou à espera que o tempo cure a minha dor. Não é fácil... Não sei o que fazer mais. Queria dormir, dormir muito e acordar como se nada tivesse acontecido...Não sei descrever o que sinto por palavras... Só sei que me dói o coração!

PARTIDA


Não vim aqui despedir-me de ti. Vim antes dizer-te um olá! Não te consigo deixar partir. Preciso de ti! Preciso da tua ajuda. Não consigo aceitar o que aconteceu.

Volta! Eu sei que tal é impossível, mas volta! Peço-te! Não me deixes aqui a implorar.

Não me deixes sozinha! Não me deixes!

Não te culpo pelo teu destino. Apenas o lamento.

Perdoa o meu egoísmo de pensar só em mim; de pensar que já não consigo avançar na minha vida porque tu não estás ao meu lado para me acompanhar. Sinto a tua falta. Não imaginas o quanto dói. Preciso de ti. Não estou a conseguir lidar com a situação. Dói demais. Nunca senti uma dor tão forte, tão grande.

És a minha estrela. Todas as noites te procuro no céu. Eu sei que estás lá a olhar por mim. Não sei qual delas és. Por isso imagino-te como sendo a primeira a aparecer porque esta também é a última a partir. Mas eu não te quero deixar ir... Não consigo! Perdoa-me por não aceitar a tua partida...

Perdoa-me...Perdoa-me...

PERDI A MINHA ESTRELA



Perdi a minha estrela. Agora só vou poder olha-la no céu.
Não perdeste-te o teu brilho. Para mim vais ser sempre a única estrela a brilhar. Vais estar lá a tomar conta de mim. Sei que vais fazer isso. Vais continuar a fazer o que fazias quando estavas a meu lado. A cuidar de mim como nunca ninguém cuidou e a proteger-me.
Quando a noite chegar vou olhar para o céu e ver de ti. Sei que estarás lá sempre seja dia ou seja noite, esteja ou não o céu coberto de nuvens. Vais estar lá a olhar por mim…
Perdoa-me todos os momentos que não pude passar a teu lado… Agora sei o quanto desperdiçamos a vida e ela é tão breve, como a tua.
Vai ser difícil ultrapassar isto…
Já não estás aqui.
Que serei eu agora sem a minha estrelinha cadente, aquela que me realizava todos os meus desejos. Mas esta noite vou agarrar-me â tua almofada. Aquela que era tua quando dormias comigo e vou chorar até me esquecer porque quero esquecer este pesadelo. Quero acordar e quero sentir-te ao meu lado na cama. Quero sentir o calor dos teus braços enrolados no meu corpo.
Não te vou culpar por esta dor que estou a sentir. Por não partilharmos mais os mesmos sonhos.
Posso estar a ser egoísta por te querer junto de mim, mas não sei como vai ser agora, não te poder tocar e beijar…não mais sentir a tua voz, as tuas palavras e o teu sorriso torcido que me alegrava. Onde está ele agora que preciso tanto? Onde estás tu agora? Já estarás lá no alto a brilhar para mim?
Vou ver de ti à janela. Sei que me consegues escutar nesse lugar desconhecido para onde foste. Sei que vais brilhar com mais luz que as outras estrelas e vais dizer-me para ter calma. Vais dizer-me palavras que já disseste antes: “Curte a vida e não quero que penses tanto nos acontecimentos…” Desta vez vou dar-te razão, Vou tentar respeitar as tuas palavras… Vou tentar ser forte e recordar-me de ti sempre com aquele lindo sorriso na cara e o teu olhar, aqueles olhos cor de mel que brilhavam quando eu aparecia.
Tantas vezes me sanaste a dor de ver partir os outros, os que eram importantes para mim. Sempre estiveste ao meu lado, a tratar da minha dor e agora seguiste o caminho deles. Quem vai cuidar de mim agora?
Perdi a vontade de rir. Não quero sorrir mais, não tenho vontade mas eu sei o quanto apreciavas o meu sorriso…
Por favor, toca-me mais uma vez e acorda-me deste pesadelo. Diz-me que isto é um pesadelo e que vai acabar. Diz-me que a vida não tem um fim, que tu não partiste para sempre. Eu vou ser forte por ti, pois sei que era isso que tu querias que eu fosse… Um dia vou ter contigo e vou procurar-te nesse local onde estás, nesse imenso céu cheio de estrelas cintilantes que perdem a sua luz ao ver a tua.
A vida roubou-te de mim e nunca vou perdoa-la!

ADEUS




Senti os lábios molhados. Era o teu sabor que reconhecia naquele beijo. Nem foi preciso olhar, abrir os olhos. Já conheço de cor o teu toque, o teu gosto. Sinto os teus lábios colados aos meus e recordo-me da inocência do primeiro beijo que me deste. Apanhaste-me de surpresa e pediste-me desculpa. Desculpa do quê? De não me teres beijado mais cedo? Talvez apenas isso não te conseguiria perdoar. Mas agora maças-me. Cansas-me com essa tua atitude de menino mimado e eu ando sem paciência para tal. Pedi-te que te afastasses. Que me deixasses em paz porque não quero saber mais de ti. Mas tu não me largas. E eu tenho sono, estou cansada de ti, de te ver a olhar de esguelha para mim para me chamares a atenção. Porque não respeitas o meu espaço? Não vês que já não é o mesmo que o teu… Há muito que seguimos caminhos diferentes. Foste tu que te afastaste por isso deixa-me sossegada pois eu quero ser feliz. Adeus!

TODAS AS CORES


Não sei qual a minha cor favorita. Acho que gosto de cada uma delas conforme a minha disponibilidade e feitio. Gosto do verde porque me dá esperança, mesmo quando eu acho que já a perdi. Gosto do azul porque me faz lembrar o céu e o mar. Dá-me calma, faz-me sentir bem... Gosto do vermelho porque me incendeia por dentro. É a cor da paixão! Gosto do preto porque me deixa mostrar o meu lado mais negro. Ajuda-me a enfrentar os meus medos... O violeta dá-me alegria. Faz-me lembrar os cardos de Junho e gosto do amarelo porque me faz lembrar o sol, o calor e os girassóis que tanto adoro. O laranja aquece-me como fogo, incendiando-me constantemente. Gosto de todas as cores porque cada uma delas me ajuda num momento da minha vida. Todas as cores completam o meu ser... Cada uma de sua determinada maneira, mas infelizmente não posso viver com o arco-íris e há-de chegar uma altura em que com muita pena terei de escolher apenas uma delas...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FIM


Secaram-se as lágrimas. Acabou-se a dor e foi o fim. Assim é bem melhor. Cada um segue os traços do seu caminho. Eu afasto-me e tu não ficas com medo. Assim já não ficas nervoso e eu vou a minha vida. Tenho muito que viajar. Tenho muito que procurar. Tenho muito que encontrar. Só me perdes se quiseres. Eu própria me perdi nos teus enleios. É bom perder-me sem me encontrar, enrolada no teu corpo. Assim como o tempo surge mais lento ou mais devagar, também o nosso tempo se transforma. O fim de nada pode ser o principio de tudo. Tens medo de me ter e de me perder, mas tens que te decidir. Queres ficar tranquilo e eu dou-te tranquilidade. Mas também dou-te aventura e dou-te aquilo que graças a mim hoje sabes fazer. O que aprendeste fui eu que te ensinei e tu transformaste o meu desejo em delírio. Mas será o fim? Duvido que o seja. Já nos afastamos e já descobrimos que tal é impossível. Avançamos com calma, como um mar que se transforma em lago mas que mais tarde se revolta e à rebelia cria ondas abomináveis de prazer. Nunca chorei contigo. Não me dás vontade de chorar. Nem de alegria, embora só esses momentos vivo contigo. Mas ajudaste-me muitas vezes a limpar as lágrimas invisíveis que cobriam em segredo o meu rosto. Secaram-se as lágrimas e estou feliz por estar contigo, mas cada um dá os seus passos. Não é necessário caminharmos juntos. Podemos sempre encontrar-nos naquele local secreto onde sempre nos costumamos encontrar. Sabes qual é e eu também. É o local secreto onde se encontra o nosso coração!

NÃO‏


Não!

Esta palavra dita repetidas vezes confunde-me o sistema.

Não isto, não aquilo.

Não posso, não quero, não queres.

Mas que raio de palavra tão negativa que encontro constantemente nos meus textos.

Porque é que a palavra (não) é tão forte.

A mim Não me mete medo.

Não tenho medo do não.

Tantas e tantas vezes a tememos mas só acontece se nos deixarmos afectar por ela.

O (Não) não me mete medo, não me assusta.

Porque teremos nós que pensar que tem que ser necessariamente negativo. O não pode ser bom quando o utilizamos correctamente. Podemos dizer: " hoje não estou triste..." e isso é bom, por isso vou transformar o não em algo agradável na minha vida.

O não vai ganhar outro significado e vai fazer-me igualmente feliz como a palavra sim.

As coisas só são necessariamente más quando tu assim as transformas.

Quem comanda o seu sentido e significado és tu e eu.

Ser positivo é saber ser feliz e aproveitar o bom que a vida te apresenta. É transformares o não em sim!

PALAVRAS-WORDS‏


As palavras movem-se muito, são instáveis como a sombra. São mutáveis, mudam de sentido todos os dias. As palavras são rótulos que se pegam às coisas, porque essas coisas não são mais do que os nomes que lhes deste. Esse nome que hoje pode significar uma coisa porque acordaste com um pensamento e que amanhã pode mudar de significado só porque já não tens a mesma ideia. As palavras leva-as o vento transformando-as em mil palavras sem sentido, palavras difíceis mas com vida. São voos rasos de recordações que ainda não tivemos. São imagens escritas do que pode ser desenhado. São um conjunto de sons que nos podem tocar profundamente. As palavras fazem parte daquilo que fui e daquilo que sou e que serei, porque eu atribuo às minhas palavras o seu próprio significado sem quebrar a minha palavra!

VAIS ACABAR POR ME PRENDER COM AS TUAS ALGEMAS


Ainda vais acabar por me prender com as tuas algemas! Mas que crime cometi eu para que assim o faças? Ainda estou a ponderar se me vou deixar prender a ti. Por um lado apetece-me, por outro não sei, porque não me quero atirar de cabeça outra vez. O receio é grande...e gato escaldado de água fria tem medo. Mas tal como uma gata em telhado de zinco quente eu ando perto de me queimar...Está calor e as hormonas andam alteradas... Conheci-te sem te conhecer ao certo e aventuro-me por caminhos perigosos. Dizes-me que és de confiança e que posso confiar em ti. E eu? Serei de confiança? Será que podes confiar em mim? Não me vou esquecer daquela imagem. Aquela primeira que vi e que não acreditei. Mesmo quando te vi frente a frente e sem ser por fotografia. Eras um sonho real mas os nossos sonhos podem transformar-se em pesadelos.Vais-me prender pelos crimes que cometi? Só cometo crimes do coração, os chamados crimes passionais... Gosto muito, gosto tanto, adoro... Quem me dera poder ser eu a ter o poder. O poder de te cativar e de te prender. Fazer o que me apetecer de ti mas sem brincar com o teu coração... Aguardo aquele dia em que caminharemos juntos ao longo do rio. Tenho medo,não quero que me atires à água. Não quero com este calor que sinto apanhar um banho de água fria. Tenho medo mas vou esperar para ver o que acontece.Sinto-me a viajar pela máquina do tempo. Parece que estou a recuar mais de uma década. Não quero confundir o passado com o presente, nem quero pensar que estou a viver de novo algo que já vivi à muito.Mas esse sorriso, esse rosto, esse pedaço de malícia que tu tens e aquele ar de menino perdido e admirado que vi, fazem-me ficar com medo de me deixar prender a ti.

FRIENDS WILL BE FRIENDS FOREVER‏


Quem sabe até um dia! As semanas são longas quando estou longe de vocês meus amigos. Fazem-me falta. São o meu mundo de encantos, com vocês sou feliz e muito. Não há tristezas quando estou com vocês. Sim, sou feliz e por isso grito-o bem alto quando estou ao vosso lado. O destino final da nossa viagem é onde nos esperam. Eu sei que vocês me aguardam e aguardo ansiosamente para voltar a estar com vocês. Amanhã já é dia e por isso conto pelos dedos as horas que faltam. A vida é perfeita a vosso lado. Sei que posso contar com vocês e vocês poderão sempre contar comigo. É triste não ter amigos mas eu sou feliz. Só não o seria se me faltasse a vossa amizade. E esta abre caminhos. Ás vezes parece que caminhamos sós porque estamos distantes. Mas eu estarei sempre do vosso lado, mesmo quando a distancia me tanta impedir. Nada nos vai separar!

Somos uno!

Um grupo!

Uma brigada!

A felicidade que faz inveja aos outros!

Somos diferentes, somos nós, diferentes dos iguais e por isso somos felizes.

Somos os amigos esquisitos que tanta inveja fazem aqueles que dizem ter amigos normais mas que afinal não têm amigos!

AMIGOS VOCÊS SÃO O MEU MUNDO!

A ESTRELA


A noite estava escura. A lua faltava no céu e era uma noite contrária aquelas de lua cheia que tanto mexem comigo. Os candeeiros das vielas pareciam apagados. Faziam recuar séculos antes em que a madrugada era preenchida pela penumbra da luz ténue dos candeeiros a óleo. O silêncio era incomodo e às vezes o silêncio incomoda-me quando é excessivo. Ando à deriva e vagueio pela rua. Está um tempo estranho. Um misto de frio e calor ao mesmo tempo. Parece uma noite de trovoada sem raios e coriscos no céu. Este está negro e escuro. Mas quando caminho sozinha olho para o céu e vejo. Vejo uma estrela que brilha. Ilumina e dá-me esperança. Essa estrela és tu. És a luz que me faltava e que ilumina os meus passos. Finalmente estás comigo de novo. Acompanhas-me no caminho de casa e guardas-me. Proteges-me, meu protector. Sempre estiveste lá a olhar por mim. Mesmo quando eu não te via porque estavas no céu escondido por detrás de alguma nuvem. És tu. Sim tu mesmo que agora lês o meu pensamento. É bom estar de volta e ter-te de novo comigo. Que saudades tuas, meu querido. Nunca uma estrela brilhou tão forte após uma noite de trovoada. E tu sempre foste tudo. Tornaste o inalcançável possível. Escutaste-me mesmo quando com as palavras que eu dizia dilacerava o teu coração. Magoei-te excessivas vezes quando não o merecias. És o meu pilar, o meu apoio, a minha luz, a minha estrela. Perdoa-me quando te magoei. Agora sim vamos ser nós dois. As únicas estrelas a brilhar no céu!

PAZ


Sinto-me tranquila. Pensavas que me enganavas mas eu fui mais forte do que tu. Pensavas que eu tinha a esperteza dos teus vinte anos mas a minha experiência tem mais dez anos que a tua. Fazes parte do passado e eu agora sinto-me em paz. Ficaste arrumado lá no canto das coisas velhas e esquecidas que não fazem falta a ninguém. Procura o teu caminho que eu sigo que pelo meu e, por favor, não me mandes recados por ninguém que eu não quero saber de ti. Não importas e não tens qualquer significado para mim. Podes passar ao meu lado que eu nem te vejo. Não te conheço. És um desconhecido para mim. Passo ao teu lado e ignoro-te. Nem venhas tentar segredar-me ao ouvido palavras falsas que lanças a toda a gente. Então já decidiste com quem queres ficar? Porque eu bem sei que não te quero a ti. Péssima foi a hora que te escolhi. Mas na efusão da aventura fazemos escolhas erradas. Aprendemos com os erros. Eu errei, perdi mas também ganhei. Ganhei a experiência que tu não tens com os teus vinte anos. Mas estou em paz. Porque aprendi a dar valor ao que é realmente importante. Porque agora sei o que é ser feliz e isso garanto-te que não aprendi contigo. Mais ainda te digo mais. Estou em paz e este é um capitulo que vou encerrar para sempre. Não te quero, não me fazes falta e não tens importância para mim. Este é o teu fim e eu, acredita, estou mesmo em paz!

O VAGABUNDO


Andava cabisbaixa... A esperança tinha morrido pois era melhor assim. Para quê manter esperança de algo que não voltaria a acontecer? A vida estava aí. Apresentou-se a mim no outro dia e disse-me para seguir com ela. Assim o fiz. Mas há muito que não via o meu vagabundo e por isso andava triste. Ele andava sumido e eu pensava que ele tinha desaparecido. Ele pensava o mesmo de mim... Tinha andado à minha procura e nunca mais me tinha visto... Era o desencontro! Mas naquela véspera de Santo António o milagre aconteceu. Não que eu seja religiosa porque não o sou mas foi por ocasião do acaso que naquela noite nos encontramos. Por um momento esquecemo-nos que estávamos chateados. Apenas foi preciso aquele sorriso meio torcido, aquele olhar cor de mel para eu me derreter. De repente o mundo parou. No meio daquela multidão apenas restávamos nós dois. Nada à nossa volta tinha importância e bastou um cruzamento do olhar para deixarmos lá para trás no esquecimento todos os nossos problemas. Éramos felizes de novo e o mundo voltara a ser perfeito. Que saudades tinha tuas meu vagabundo. Vagabundo porque era o teu destino andar por ai a circular pela vida. E eu a pensar que tu estavas chateado comigo e tu a pensares o mesmo. Nenhum estava chateado. A falta de dialogo é que nos levou a pensar assim. Estava tudo bem e agora íamos ser felizes porque o merecíamos. O Mundo cansa-nos quando não o entendemos mas se anteriormente nele não havia compreensão agora todos os passos dados começavam a fazer sentido. Estavas diferente. Sorrias mais para mim. Mostravas mais carinho e mais saudade, embora também o fizesses antes. Mas agora estavas diferente. Mais tranquilo. As saudades fizeram-nos bem, fizeram-nos sentir a falta que o outro nos faz. As vezes nada melhor que um pequeno desentendimento para compreendermos a falta e importância que a outra pessoa nos faz. Tinhamos percebido isso. Ainda estávamos a tempo de ser felizes. Sentimos a falta um do outro e isso fez-nos bem. Agora sim o mundo sorria ao nosso lado. E tu meu vagabundo, aquele que troquei pelo príncipe encantado que não existia, estavas de volta a minha vida. Porque tu sim, eras a minha vida!

I MISS YOU


Não sei se vais ler o que te estou a escrever, apenas sei que gostaria muito que o lesses e que me respondesses ao mesmo.
Deves estranhar eu estar a escrever-te passado tanto tempo. Não sei nada de ti. Há anos que não falamos e nem sei se ainda te lembras de mim. Eu não te esqueci, sempre te disse que nunca te ia esquecer independentemente do que acontecesse na minha vida…
Vou mudar de casa! Ando na fase de mudanças e enquanto estava a encaixotar algumas coisas encontrei as cartas que trocávamos. Todas as que tenho. Inclusivé os mails. Nunca as deitei fora nem faço questões disso. Podes achar-me ridícula mas vão acompanhar-me para o resto da minha vida. São a única coisa que guardo de ti para além das recordações e das memórias dos bons e dos maus momentos que passei ao teu lado e longe de ti. Sempre estiveste no meu coração. Ontem estive a lê-las. Uma a uma e recordei coisas que já pensava ter esquecido. Confesso que mexeu comigo. De tal forma que nem sei o que sinto hoje… Disseste-me que ias para longe e que ficarias 5 anos sem vir a Portugal mas é como se te sentisse próximo de mim. Sinto-te perto, não sei explicar…
Acho que preciso de te justificar a minha atitude no nosso ultimo encontro. Devo-te pelo menos isso. Acho que iria explodir se não te escrevesse tudo isto por isso gostaria muito que tivesses oportunidade de lê-lo. Sei também que já deves ter refeito a tua vida e que eu neste momento sou apenas uma mera recordação mas sinto que se não te disser tudo o que me vai na alma me irei arrepender para sempre.
Quando apareceste em minha casa naquele dia senti que foi uma despedida. Não sei se pretendias que te pedisse para ficar, para não ires para longe de mim. A minha vontade era que ficasses comigo para sempre mas isso nunca vai acontecer…O nosso futuro juntos nunca dependeu de mim, apenas de ti. Não te podia nem nunca pude pedir nada. Não era justo prender uma ave que voa livre. Se quisesses realmente ficar comigo não era preciso eu falar, bastava entenderes o meu silêncio…
Não era justo pedir-te para abandonares todos os teus sonhos. Para mim foi mais fácil deixar-te partir do que pedir-te para que ficasses comigo, como era o meu desejo, e no fim disseres que tinhas mesmo de ir.
Tu foste. Essa foi a tua escolha. Nunca foi a minha. E eu perdi.
Não sei mais o que dizer. Sinto-me confusa mas depois de ler aquilo tudo foi como se voltasse ao ano de 98 e aos anos seguintes. Nunca achei que desperdicei a minha vida enquanto estive ao teu lado. São memórias que vou guardar para sempre…
Espero que leias esta mensagem e se possível que me respondas… Não te posso pedir nada mas é apenas o que desejo: uma resposta.

Beijos.

Espero sinceramente que estejas bem e feliz.


S.

A SAGRADA FAMÍLIA


Nunca fui religiosa mas sempre dei valor à Páscoa. Não pelo significado em si, mas por ser uma altura em que a minha família se reúne.
Recordo-me de ser criança e de entrar no quarto da minha tia. Lá estava a Sagrada Família a olhar para as nossas brincadeiras. Como nos divertíamos na nossa inocência sem nunca deixarmos de ouvir as reprimendas da minha avó quando abusávamos e ela estava sempre a ralhar… Não gostávamos dela por causa disso, mas quem é a criança que gosta de ouvir sermões!
Este ano foi diferente. Talvez por já não ser uma criança. Já sou adulta embora sem vontade de o ser. Este ano entrei lá, não no quarto onde se encontra a Sagrada Família, mas sim no local onde agora a família passa o seu Domingo de Páscoa reunido. Entrei, cai no erro de a procurar. Ela não estava lá. Não estava na cadeira onde sempre se costumava sentar. Não, não se encontrava, não estava lá sentada no sitio do costume. Tinha partido há 6 meses e eu não me lembrei. Ainda estou tão habituada a tê-la ao pé de mim. Parece que foi ontem. Ainda a procuro todos os dias quando chego. Parece que ainda a vejo ali, a ralhar connosco. Mas ela não está lá. Já só cuida de nós lá de cima, daquele lugar que ela acreditava que existia. Eu não acredito nele, mas quero acreditar que ela olha por mim, que cuida de mim…
Sinto tanto a falta dela. Até dos seus sermões sem sentido sinto saudades. Porque só sentimos a falta de alguém quando a perdemos? Eu sei que sou egoísta! Ela já estava a sofrer mas mesmo assim eu não a queria longe de mim. Agora entendo o quanto ela gostava de nós. As palavras meigas escondidas atrás das reprimendas. O seu mau feitio, sempre rabugenta e sem paciência, tão similar a mim!!!
Mas ela preocupava-se. Agora sei o quanto a amava e ela me amava a mim.
Sinto saudades tuas avó e só me apetece chorar.

domingo, 4 de abril de 2010

PÉS


Com eles caminho. Sigo pelos trilhos tortuosos da vida mas com a coragem de dizer que foram esses que eu escolhi.
Ando.
Vagueio pelo incerto e perco-me na esperança de uma alegria.
Adoro perder-me e voltar e encontrar-me.
Adoro esta sensação de andar de montanha russa mas com os pés bem assentes na terra.
Adoro caminhar descalça. Sentir todos os relevos do chão sem ter medo de me cortar nos vidros das memórias que ali se registaram.
Gosto de sentir o chão, a relva macia, a pedra fria e a areia quente. Assim, caminho pelo destino sem vontade de me calçar porque gosto de sentir as coisas.
Talvez um dia me coloquem um sapatinho de cristal mas eu não quero sentir-me presa e não quero com os meus pés deixar de sentir o chão.

ARREPIO


Sinto um arrepio na espinha. Será frio? Será um pressentimento que me trespassa? Será uma alma penada que vem ter de encontro com a minha? Ou será apenas o meu medo a percorrer-me o corpo? Mas medo do quê se já nada me assusta? Medo de te perder ou de me perder nos enleios do teu corpo?
Muitas perguntas e nenhuma resposta!
Que arrepio este!
Dá-me vontade de rir. Hoje estou assim sorridente, a sentir-me abençoada pela vida e feliz por ser como sou. Estou cansada das tristezas e das pessoas tristes. Tristes não porque têm uma tristeza profunda mas porque desperdiçam a felicidade com a sua insegurança e com medo de serem felizes. Essas pessoas instáveis, essas sim causam-me arrepios…
Como me apetece rir hoje, dar gargalhadas até mais não. Rir-me do ridículo dos outros que têm medo de ser felizes e de sorrir. Eu também já fui assim e de que é que me valeu? Não ganhei nada com isso, só perdi, mas porque avancei hoje sou feliz, muito feliz e rio porque tenho vontade.
Vou correr riscos, vou ser feliz sem ter medo de arriscar porque a vida é feita de conquistas, vitórias e derrotas.
Vou arrepiar-me, não vou voltar a ter medo, vou sorrir e ser feliz, muito feliz!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A MÃO‏


Houve um dia em que cai. Perdi a força nas pernas e fiquei sentada no chão. Foi tudo muito rápido. Estiquei o braço e uma mão segurou-me e voltou a pôr-me de pé.
Era uma mão forte! Uma mão sem rosto!
Não sei quem me segurou! Não sei quem me elevou de novo! Foi uma força mágica e sábia! Alguém que sabia que eu estava no chão e levantou-me.
Desconheço o rosto dessa mão.
Ainda hoje procuro essa face que me ajudou… Mas como procurar um rosto que não vi?
Foi rápido demais. Não houve tempo para fixar. Gostava de ter sempre disponível uma mão que me erguesse dos tombos da vida. Uma mão que me impedisse de cair, de tropeçar, de andar aos tombos por ai.
Uma mão como a tua…

A PRINCESA


A princesa sofreu e a princesa cresceu!
Como lhe disse (E.) cresceu tanto que ficou maior que o tamanho da sua torre e não cabendo nela foi em busca de um novo destino. Cansou-se de esperar que a sorte lhe batesse à porta e foi à procura dela. Descobriu que a sorte não vem ter connosco, nós é que temos que saber alcança-la, e assim o fez. Foi ao seu encalço e descobriu que o Mundo está cheio de coisas boas, que não existem príncipes encantados nem sapos à espera de beijos para que o feitiço seja quebrado.
Finalmente, ela saiu da sua toca e foi à descoberta.
O Mundo também tem coisas boas (pensou)! E recordou-se de como era mágico o seu Mundo quando era criança.
Ficou feliz!
Voltou a ser criança com atitudes de adulta e encontrou a felicidade.
A Primavera tinha chegado e as flores começavam a desabrochar…
Como o Mundo era belo… como as flores eram lindas e coloridas… como os raios de sol espreitam por detrás do arco-íris…
Era um Mundo novo e cheio de esperança. Muito diferente do que ela observava do alto da sua torre… e agradeceu:
- Obrigado (E.).

RECADO


Todos nós vemos o nosso amor desperdiçado. Por isso devemos traze-lo para a vida, faze-lo ressuscitar. Não o deixes fugir porque ele é necessário para ser quem és. Não desperdices o amor mas também não te desperdices a ti. Luta sempre por algo que lhe valha a pena, caso contrário é uma luta desigual, desnecessária, sem sentido…

quarta-feira, 24 de março de 2010

A PAREDE


Estou num Mundo dividido. Estou cortada a duas metades. Dois destinos diferentes. Estou num lado em que se encontra a minha vida e quero passar uma parede de vidro para viver os meus sonhos. Estou farta desta realidade em que estou inserida e quero ir até ao outro lado da parede. Quero conquistar o Mundo mágico que idealizo e observo através do vidro. Quero ver o que há para além daquilo que vivo. Quero atingir os meus objectivos, ser feliz.

Deparo-me com esta barreira invisível que me prende. Quero transpo-la. Quero mais. Quero mais do que tenho. Quero ser feliz.Quero passar para o lado de lá. Não posso mais ficar aqui. Sinto-me presa. Tenho que encontrar uma solução rápida para não enlouquecer. Estou a dar em louca e não vou entrar em declínio.

Que poderei fazer?

Vou partir esta parede de vidro e então serei feliz!

segunda-feira, 22 de março de 2010

PEGADAS NA AREIA


A praia no Inverno tem outro gosto. É solitária, tem um encanto mágico, uma outra harmonia e é quando eu gosto de lá ir. Pessoas passeiam-se no meio da neblina e tu vens ao meu lado, de mãos dadas comigo. Caminhamos pelo destino.
É Inverno mas não está frio. Caminhamos descalços pela beira-mar, deixando pegadas na areia. Deixamos o nosso rasto para trás. São como pequenas marcas de lembranças que se gravam naquele local. É como a marca do teu nome que lá deixas. E caminhamos a largos passos… Andamos, andamos seguindo a linha do horizonte que marca o traço da nossa vida. A água salgada toca-nos nos pés. Está gelada mas não nos incomoda. Provoca-nos arrepios na espinha mas é uma boa sensação. Marcamos os nossos passos na areia e caminhamos lado a lado. Abraçamos-nos e vemos o sol fraquinho a querer rebentar em força por entre as nuvens. Aquele calor ainda tímido assemelha-se à timidez do nosso beijo.
Falamos dos nossos planos futuros. Fazemos planos para uma vida que não será a nossa. Será a nossa doce recordação. Não vai passar disso. Mas tu ainda caminhas a meu lado. Ainda me aqueces. Ainda me dás o prazer da tua companhia.
Vamos juntos. O mar enrola-se a nossos pés. Parece atrapalhado com a nossa presença. Envergonhado, talvez!?
Sigo pela linha do destino. Deixo as minhas pegadas e sigo o meu percurso.
Olho para o chão, para a marca das nossas pegadas na areia. Apenas vejo os meus passos! Onde andas tu? Onde ficaste? Porque voltaste para trás num caminho que era o nosso? Já não estás comigo.
Agora caminho sozinha…

A LÁGRIMA


Sinto um aperto no peito. Estou tensa. O dia corre-me mal. Não há motivo aparente para tal acontecer. Estou aborrecida e só. Sinto-me só, no meio de gente. Preciso de ver caras novas. Hoje á noite vou tratar disso. Vou ter com gente, gente nova e desconhecida. Gente que me quer ver. Gente que eu também quero ver para lavar a minha vista. Porque estou farta destas lágrimas. Estas lágrimas que me escorrem pelo rosto e que há muito não são salgadas. São lágrimas de sangue. Das angústias dos tempos que correm. Do desespero desta solidão que penetrou na minha vida de forma perene. E este aperto que sinto no peito é do sangue que me escorre pelo rosto. Já não consigo ver da mesma forma. Tenho os olhos baços. Não vejo bem e quero ver. Quero ver tudo. Quero ver muita coisa. Quero ver um novo mundo diferente daquele onde vivem as pessoas comuns.
E por isso mesmo hoje vou explorar novas conquistas. Vou partir à descoberta de novos mundos. E a lágrima de sangue que me corria pelo rosto vai perder-se pelo seu caminho. E vai acabar por desaparecer.. definitivamente… Para sempre!

O BEIJO


Senti os lábios molhados. Era o teu sabor que reconhecia naquele beijo. Nem foi preciso olhar, abrir os olhos. Já conheço de cor o teu toque, o teu gosto. Sinto os teus lábios colados aos meus e recordo-me da inocência do primeiro beijo que me deste. Apanhaste-me de surpresa e pediste-me desculpa. Desculpa do quê? De não me teres beijado mais cedo? Talvez apenas isso não te conseguiria perdoar. Ambos o desejávamos. Simplesmente tu foste mais corajoso e tomaste a iniciativa. Mas aquele beijo levou-nos à nossa infância. Fez-nos recuar aos velhos tempos e eu gravei aquele momento para sempre.
Agora tens a mesma vontade de me beijar mas tens medo. Tens medo que eu te prenda, que te enrole no meu destino e por isso foges. Eu vou deixar-te ir. Vou deixar que vás embora pois não te quero prender. Perdi a esperança para sempre mas vou guardar o sabor do nosso primeiro beijo. O beijo de dois adultos que pareciam crianças de volta ao seu primeiro amor…

DESEJO


A mulher é um animal com o cio. Anda constantemente à procura de aventura, de presa nova mas na realidade o que ela pretende mesmo é alguém que a proteja… Dá-se mal com isso! Poucos são aqueles que conhecem esse segredo e os disponíveis já estão todos ocupados assim como os lugares do metro em hora de ponta. Mas os homens são presas fáceis e basta à mulher insinuar-se para ter tudo o que deseja. Eu infelizmente não sou assim! Por baixo desta capa de mau feitio esconde-se uma pessoa doce e apaixonada. Não consigo envolver-me com um homem sem sentir por ele mais do que desejo. Não vejo este ser humano tão diferente de nós como um objecto mas sim como pessoa. Mas também vou à caça! Vou procurar os gambuzinos que andam por ai perdidos…
Eu desejo e por desejar tanto, desejo-te a ti! És tu que me satisfazes, que me colocas lá no alto, no topo da montanha. Provocas-me desejo só com o teu olhar. Olhas para mim e vejo que me desejas. Que patetas somos quando não o admitimos. Queremos parecer fortes mas o nosso corpo arde. Que ganhamos com isso? Apenas perdemos, assim como nos perdemos um ao outro quando estamos juntos. Eu sei o que sentes por mim. Então porque não o admites? Sentes o mesmo que eu sinto e anseias pelo mesmo que eu.
Queremo-nos um ao outro e a isso chamamos desejo!

quarta-feira, 17 de março de 2010

SINTO QUE CARREGO O MUNDO ÀS MINHAS COSTAS...


Sinto que carrego o Mundo às minhas costas e não aguento. É pesado demais! Não vejo forma disto acabar. Estou só e sofro. Carrego este fardo pesado. Doí-me tudo. Doí-me o coração que está dilacerado. Doí-me sofrer. Doí-me ver que à minha volta nem todos estão bem.

Deixei de ser egoísta. A minha dor acabou! Agora doí-me a dor dos outros. Daqueles que sofrem à minha volta. Mas este Mundo é tão pesado! Carrego-o às costas! Sinto o seu peso sobre a minha fragilidade.

Eu já não existo! Já não quero saber de mim! Já não me preocupo. Sofro a tua dor e transporto-a sem conseguir diminui-la.

Como faço Para não te mentir e proteger? Devo dizer a verdade e magoar-te?

Já não sei! Porque me fizeram isto? Porque me deram os seus problemas quando eu já tinha os meus?

Ai como doí conhecer a dor dos outros!

Tenho o coração ferido.

Porque tenho que saber coisas que não quero ouvir?

Como ajudar o Mundo que está em queda?

Porque tenho este peso nos ombros?

Porque me desafiaste tu a decifrar o enigma daquilo que eu não queria saber?

Achas que preciso ganhar peso para não voar e atiras-me o Mundo que eu não quero conhecer para cima de mim?

Eu carrego!

Eu transporto!

Sou uma espécie de Sísifo que todos os dias eleva a pedra para o topo da montanha para no dia seguinte o tornar a fazer.

Eu carrego o peso do Mundo às minhas costas e não quero esta responsabilidade.

É pesada demais!

terça-feira, 16 de março de 2010

PAIXAO


Paixão é o teu nome que tenho guardado no meu telemóvel. Porque assim o quis meter e porque ele quis ficar assim. Mas a paixão tem que ser alimentada e tu já não me alimentas. Pelo contrário. Consomes-me. Fazes crescer a minha angustia e dás cabo de mim. Talvez isso te dê prazer. Eu tenho prazer de outras formas como quando estás dentro de mim, não só do meu corpo num momento de luxuria, mas dentro do meu peito que até então ardia na ânsia de te voltar a encontrar. Mas tu perdeste os meus passos e eu perdi os teus. Percorremos caminhos diferentes quando antes tinha um traçado só nosso. Paixão é o sentimento que ainda sinto por ti mas que quero fazer desaparecer assim como tu fizeste. Paixão é ainda o único nome que me quero lembrar de ti, pois esse ainda me deixa bons momentos. O teu verdadeiro nome esse quero esquecer. Quero apagar da minha memória. Não quero voltar a encontra-lo nas palavras da vida. Paixão esse teu nome belo que eu te coloquei, esse que vou preservar na minha lembrança e espero voltar a encontrar. Talvez não em ti, não no teu nome real, talvez noutra pessoa. E se recuperar as minhas feridas que tardam em sarar talvez ainda o diga, não a ti pois não mais voltarei a ver-te mas a alguém que seja digno dele.

ARTISTAS DE CIRCO


Apareceste!

És o terceiro rosto da minha história. Surges do nada quando menos espero. Não sei o que pretendes com a tua chegada. Partiste da mesma forma que ele partiu e deixaste-me com as mesma dor que estou a sentir. Abandonaste-me pelos mesmos motivos.

És um mágico ilusionista que aparece para me salvar mas desapareces entre multidões no mesmo palco de circo onde actuas. Porque apareces sempre quando a hora parece certa e desapareces logo de seguida para me deixar de novo a dor? Porque chegas quando tento esquecer o sofrimento que um outro artista me impôs, que me iludiu tanto, quando o que tu pretendes é apenas utilizar-me em mais um número? Para quê tanto espectáculo se vou ficar sem ninguém? Não há plateia para assistir! Tal como eu foram afugentados pelos falsos artistas de circo que são vocês. Que queres agora? Surges como uma vã esperança na actuação da vida. Envolves-me na tua teia e bates-me à porta para eu te deixar entrar.

Não abro!

Estou acompanhada!

Estou aqui mais a solidão!

Porque vão e vêm estes palhaços, artistas de circo para me iludirem com os seus truques de magia?

Estou cansada do ilusionismo em que me deixaram e nenhum dos dois me faz rir.

Porque volta um que hoje quer e amanha já não? Porque vai o outro que não quer agora e depois talvez?

Serei assim um mostrengo tão horrível de rosto e atitudes para terem medo de mim?

Porque é que hoje querem e amanha já não?

Porque voltam e vão embora com números de ilusionismo que eu nunca compreendi?

Eu sou a artista que anda na corda bamba em busca do equilíbrio! Ando por um trapézio sem rede mas se cair não tenho quem me agarrar.

Odeio o circo!

Odeio palhaços!

Odeio vocês os dois!

ROSA DE PAPEL


Eu sou como uma rosa acabada de colher. Tenho a frescura da vida enquanto vivo e tenho espinhos. Foi aí que te feriste quando me tentaste agarrar. Mas eu gostei de ti e por esse motivo transformei-me numa rosa de papel. A minha vida passou a ser eterna a teu lado. Sem mágoas, sem espinhos e sem dor. Mas tu abusaste. Cansaste-te desta velha rosa de papel a amachucaste-me. Agarraste-me com a tua mão enorme e deitaste-me fora. Sou um lixo. Sou uma rosa de papel sem espinhos num balde de reciclagem. Fizeste-me perder a minha cor e feriste-me. Livraste-te de mim como alguém se livra dos trastes velhos. Perdi o brilho natural para ser a tua rosa de papel e tu deitaste-me fora. Agora ando por aí, tal como lixo a reciclar a vida.

CHUVA


O tempo está a mudar. Vem ai chuva! Estou cansada deste tempo mas talvez seja melhor assim. Talvez esta chuva sirva para apagar as últimas recordações que tirei de ti.

Estava uma tarde de sol quando te vi pela última vez. Estavas de costas e descias a minha rua solitária. Fumavas um cigarro, talvez tentando apagar o último sabor do meu beijo. Senti que era a derradeira despedida. Não ficaram promessas para trás nem um novo encontro prometido. Era o fim de um sonho apenas meu...

Mas a chuva vai cair e vou deixa-la tocar no meu rosto. Vou deixa-la lavar do meu corpo o resto das recordações. Vou esquecer quem és e quem foste. Vou eliminar da minha lembrança o sabor do teu toque, as últimas sensações do teu corpo enleado no meu, o último momento de prazer...e vou esquecer aquela tarde quente de Inverno em que o sol roubava a tua sombra e que te tirava de mim...e lá ias tu, descendo a rua na incógnita do destino que não mais querias partilhar comigo. Por isso agora chove...e a chuva leva-me as últimas imagens que tenho de ti porque sei que não voltarás a ser meu..e quando esta chuva passar já não vão ficar lembranças tuas no meu rosto. Foram apagadas pelas atitudes e mesmo que o sol volte a brilhar quente, numa tarde de Inverno, já não estarás ali, a descer a minha rua, nem eu estarei à minha porta a despedir-me de ti antes de voltar para a cama ainda aquecida pelos movimentos dos nossos corpos.

SEGREDO


Existe um segredo que eu não posso revelar. Desconheço-o e tenho medo de o descobrir. Sei que ele transporta algo escabroso, algo que não sei. É por isso que não o posso contar. Como falamos de algo que não sabemos, quando mesmo que tenhamos conhecimento não o dizemos na mesma? Assim existe este segredo que eu não sei e que já não sei se o quero saber. Mas ele mete-me medo e não descanso enquanto não o descobrir. Mas será que vai ser bom para nós desvendá-lo? O que me escondes? Diz-me tu do que te escondes? Se é um íman que nos junta quando estamos próximos porque existe este segredo entre nós. Ou será este segredo uma mentira que eu transformei em segredo, ou será uma ilusão da minha cabeça para perdoar os erros cometidos por ti e que eu não compreendo. O que queres de mim para além de me quereres tanto quanto eu te quero? Este é o nosso segredo.

VOAR


Sossego é o que preciso de sentir neste momento, por isso aperto a tua mão com força e voo para longe daqui. Levo-nos para um lugar tranquilo onde só precisamos um do outro para sobreviver. Um refúgio como o meu quarto quando passas as noites comigo…
Como o tempo passa a correr quando estou contigo e como tarda a hora de te reencontrar quando estou longe de ti. Por isso, nesses momentos, refugio-me no meu pensamento. Escondo-me nas nossas recordações , esquecendo que lá fora o mundo existe, vive e voo sem destino na tua direcção. Não tenho asas para voar, não sou nenhuma ave rara, não sou o colibri que carrego ao ombro mas sou eu…aquela que tem uma força interior poderosa e que pode voar nos trilhos da imaginação. Aquela que voa sempre em direcção a ti, porque tu és um íman que me atrai e que me repela mas já sou imune a tudo isso porque agora estou tranquila e voo. Voo em direcção a ti, voo contigo, voo em direcção ao nosso destino porque sei que tu estarás lá à minha espera.

A CHAVE


Precisei de ti e tu não me escutaste. Chamei por ti e tu tapaste os teus ouvidos para não vires em meu auxilio.
Guarda o teu beijo. Guarda-o junto das palavras que me dizes, que me magoam e que eu não quero ouvir.
Estou a deitar fora as tuas recordações. Vou enterrá-las no poço sem fundo no qual me colocaste e eu consegui sair.
Vai-te embora. Leva a tua lembrança e os restos de ti. Esta porta fechou-se e eu deitei a chave fora.
O que é a morte senão a espera que um momento de dor se acabe. Assim mataste o meu amor. Mataste-o com as tuas acções, com os teus gestos de criança mimada que se julga adulta. Mas eu tranquei a porta ao meu sentimento e este não voltará a entrar. Deitei a chave fora e esta porta não voltará a abrir. Tranquei-te do outro lado onde é o teu lugar, como um cão sem dono que pede guarida em casa alheia. Podes tentar arromba-la mas não vais conseguir…

segunda-feira, 15 de março de 2010

LUTO




Estou de luto. Mataste-me! Feriste o meu coração e trespassaste-o com mil espadas de dor. Mataste-me por dentro mas eu sobrevivi... Arranquei este luto que é o meu e matei-te a ti. Esqueci que um dia caíste no meu regaço, como uma fruta caindo de uma árvore. Verde na ingenuidade dos teus vinte anos. Verde como és. Ainda tens muito para aprender... Eu também preciso que me ensinem. Não quero voltar a comer essa fruta verde que estava envenenada. Quero aprender o antídoto para o teu doce veneno. Mas eu estou de luto por mim. Por ser aquilo que sou e ter ainda acreditado em ti. Mas matei-te! Não com as mil espadas com que me trespassaste o coração, mas matei-te hoje, hoje mesmo, da minha memória e da minha lembrança. Já não me perturbas! Já me mataste antes de eu te matar a ti e por isso já não sinto dor... Já não sinto nada. Apenas o vazio que cá deixaste e que mais tarde talvez seja preenchido por um outro fruto proibido. Este fruto será maduro. Não quero mais veneno a corroer-me o sangue. Morri mas voltei a vida para celebrar a que se inicia. Novos frutos nascerão das árvores após a Primavera e no meu Verão irei colher outros frutos mais gostosos e sem veneno. Amargaste-me a boca e a alma mas ela renasceu das cinzas tal uma Fénix. Assim sou eu depois de andar aos caídos. Estou constantemente a cair e a erguer-me porque eu sou uma árvore. Não dou fruto mas sei morrer de pé.

HISTÓRIA DE ENCANTAR


Esta é uma história de encantar cheia de desencanto. Embora seja chamada de encantar não tem um final feliz por isso não começa da mesma forma que todas as histórias de encantar. Aqui não existe o "era uma vez", nem o "viveram felizes para sempre" mas há dias em que precisamos de ouvir uma história de encantar e esta começa assim...

... Uma noite, um certo princípe saiu do seu castelo para se divertir e deslocou-se a um reino vizinho. Lá, viu uma bela moça que o encantou e raptou-a no final do baile. Não por maldade, mas pela força da paixão... Ela foi a medo, mas de livre vontade...

Levou-a até ao seu castelo e divertiram-se até ao raiar do sol. Ela foi feliz mas tinha que regressar ao seu reino e o princípe levou-a.

Ao contrário dos outros princípes este não montava um cavalo branco. Montava um leão.

Lá a deixou a porta da muralha na languidez de um beijo e seguiu o seu caminho.

A moça não era princesa. Não tinha sangue nobre e vivia numa torre de um castelo abandonado, de um reino sem rei. Toas as noites esta princesa avistava ao longe, bem do alto da sua torre, a chegada do seu princípe montado no seu leão... Todos os dias ele aparecia e todas as manhas ele acordava aquela bela adormecida com um caloroso beijo dizendo-lhe: " Tu até tens nome de Princesa".

Eram felizes e foram durante bastante tempo... Não durante tanto tempo como aquela falsa princesa desejava.

Um dia ela aguardava-o lá no alto da sua torre e ele não apareceu... Passaram-se dias e dias e a pobre princesa nunca mais saiu lá do alto.

Chorou. Chorou. Chorou e voltou a chorar. Chorou tanto que a sua alta torre se transformou numa ilha intransponível... E ela lá ficou a pensar e a pensar... Sabia que o seu princípe gostava dela e não mais saiu da torre na esperança que ele a fosse salvar... Mas ele não voltou e não a socorreu... Ela pensou que o seu princípe lhe escondia algo. Talvez ele estivesse prometido a uma verdadeira princesa...e de tristeza profunda ela sucumbiu na sua dor!

O MEU ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA


Estou de olhos vendados. Não vejo nada, nem ninguém. Procuro à minha volta! Sinto barulho, sinto o burburinho das pessoas que me rodeiam. Sinto o seu cheiro. Há muita gente mas eu estou só e ninguém me vê. Sou transparente e ceguei de egoísmo. Penso que alcanço tudo o que quero! Julgo conseguir controlar o mundo e o meu destino, mas é mentira e é na mentira que vivo.. Vivo uma mentira que só para mim é real. Julgo que tenho tudo e o que tenho é nada. É um punhado de areia que ao fechar a minha mão com força me escorre entre os dedos. Essa areia é tudo o que me foge. É tudo o que me é querido e é tudo o que quero.

Ceguei.

Não vejo nada. Puro egoísmo da minha parte...

Ceguei os outros que deixaram de me ver.

Perdi, mas vou ganhar...

Vou ganhar novamente porque tenho força e vou conseguir tudo o que quero... Sempre foi assim...

Outro tempo, outra vontade, outra pessoa: eu e a próxima.

Outro mundo, outra cor... Um mundo colorido e cheio de vida onde serei eu que darei as pinceladas de cor...

Quem manda sou eu e eu sou forte! A vida voltará a sorrir. O que irá acontecer?

Voltarei a encontrar-me naquele local cheio de gente... Tirarei a venda que me cobre o olhar e voltarei a ver!

Nesse momento as pessoas voltarão a olhar para mim!

ESPELHO


Já não vejo o meu reflexo... Perdi a imagem real que tinha de mim. Vivo agora na ilusão... Na esperança de alcançar uma miragem que me faça encontrar o meu EU. Confundi-me nas confusões da vida e agora procuro a minha imagem. Não a vejo, nem vejo o meu reflexo em lado algum. Porque não vejo a minha imagem quando me olho ao espelho?Porque procuro sem sucesso a razão do meu ser? É complicado falar de mim quando não me encontro. Este procura incessável de mim mesma perturba-me. Caí bem fundo na mágoa de um abismo interminável, sem explicação razoável, apenas porque o meu reflexo desapareceu. Que será de mim agora que acordo todas as manhas e ao olhar para o espelho não me vejo? Será que a minha dor cegou-me?

Os meus sentidos começam a falhar-me. Perco forças. Não encontro paz. Não sei onde ela se enfiou pois esconde-se de mim...

Procuro-me na margem de um riacho como um narciso que se contempla, mas não me vejo.

Apercebo-me que caí perdida dentro do lago das emoções.

Penso.

Procuro.

Acho a minha resposta.

Encontro então a razão...

Descubro o porque de não ver o meu reflexo em lado algum!

Que egoísta sou, que penso em mim e nos meus sentimentos.

Encontro, porem, o meu reflexo.

Está no espelho da minha vida, no seu interior.

Lá dentro!

No outro lado do espelho!

A ESCADA


Deparo-me no meio de uma escadaria.
Onde estou?
Não sei!
Que caminho devo seguir? Estou perdida e não sei!
Aqui estou eu desamparada e com medo de cair. Não tenho para onde me lançar pois estou no meio de um lance de escadas onde não vejo o principio nem o fim.
Que fazer?
Subir?
Descer?
Porque estou aqui?
Porque parece que estou num labirinto sem entrada e saída?
Para onde devo de ir?
Cansei de esperar. De perguntar em vão onde estás e por onde andas… Porque não vens aqui para me salvar, salvando-te a ti próprio.
De que tens medo?
Será da dor?
A tua não será maior que a minha! Estarás no meio desta escadaria?
Onde estas? Não te vejo?
Procura-me. Pois quero encontrar-me e só o farei quando estiver novamente junto de ti.
Que dor esta que me percorre o corpo! Tantos pontos de interrogação na minha cabeça!
???
Estou perdida no meio desta encruzilhada a que chamamos destinos e o meu tem sido cruel comigo, assim como tu.
Estou farta!
Cansada disto tudo e de ti. Mas como posso estar cansada de ti se é contigo que quero estar? Talvez esteja cansada da tua ausência.
Procuro-te.
Subo e desço estas escadas sem fim. Triste sina pois não te encontro, nem me encontro a mim…
Agora percebo o quanto estou perdida. Estou perdida de dor e estou perdida por ti.
Cansei-me!
Estou mesmo farta!
Quero fugir e não tenho para onde ir.
Que faço?
Choro, choro e volto a chorar porque não consigo fazer outra coisa.
Que fazer?
Nada…
Olho em redor e…
Sento-me!!!

ANJOS & DEMÓNIOS




Não quero ser um anjo de asas caídas, despida de pudores e cheia de ingenuidade. Também não quero ser um demónio ardente, queimando tudo o que me rodeia. Não quero pureza mas também não quero corromper… Não quero ser a boa rapariga que vai para o céu, quero ser a rapariga que vai para todo o lado!
O meu fundo é bom mas tem um lado obscuro que de vez em quando se revela.
Hoje vai revelar-se…
Não existe maldade em mim, apenas a malícia do desejo carnal… Os anjos não têm sexo…então para que servem? Não é bom ser-se um anjo quando se fica por conhecer um dos mais profundos prazeres da vida… O meu corpo arde em emoções e todos os poros da minha pele estão carregados de tentações…
Não serei anjo porque estes não existem. Não há um mundo perfeito. Não quero um demónio só porque tenho frio e tu não me aqueces… Quero o misto dos dois… Talvez um anjo de asas negras que não é mais do que o simples ser humano… Cheio de qualidades e defeitos…assim como eu e tu…
Ninguém é perfeito e poucos se preocupam em atingir a perfeição. Eu tento procurar no meu demónio o seu lado de anjo porque é esse que me protege. Mas tu agora não és assim. Não me procuras e não me queres. Atormentas-me a minha mente e fazes renascer todos os demónios que existem dentro de mim. Destróis-me como uma tempestade…Trazes-me a dor da saudade e da incerteza… Não sei qual delas dói mais..Só quero esquecer isto…Esquecer o Inferno em que passei a viver e voltar ao Paraíso para o qual me transportaste quando te conheci..Serás o meu eterno anjo de asas negras que tento apagar da minha memória. Eu não sou anjo mas tu também não!


Que seremos então?


Demónios?!

quinta-feira, 11 de março de 2010

SEXTA FEIRA



Sexta-feira..Lá ia eu no expresso a caminho de Nisa envolta em pensamentos..A segunda circular estava o caos de todas as sextas feiras...Passam sempre grandes maquinas por mim..e passou uma PICASSO, não que seja uma grande máquina mas porque sempre me imaginei dentro de uma.E assim entrei no sonho...o oposto da minha vida..Neste momento já não estava no expresso.Estava na Picasso. A meu lado o Homem que me fará feliz, quem é não sei pois não tem rosto mas naquele local sou especial e totalmente realizada..Lá atrás estão o Ivan, o André, o Henrique..e o Sebastião, o meu Labrador branco..que nos acompanha sempre para todo o lado. Os meus três filhos ainda trazem a farda do colégio..A vida não me corre mal e quero dar-lhes a melhor educação... Aos poucos começam a ficar vencidos pelo cansaço e vão adormecendo..e o Homem ao meu lado aperta-me a mão para me confortar...A viagem será longa?? Não sei...Mas estou feliz, muito feliz e sou feliz...Este sonho persegue-me há muito tempo...não será uma realidade...será sempre um sonho e por isso é tão bom..Não penso casar..já estou a começar a perder as hipoteses...Filhos será dificil...principalmente Três...e prefiro gatos embora o mais real deste sonho possa ser o Sebastião...O Homem a meu lado....Aquele sem rosto que me faz feliz...esse concerteza serás tu!

ECLIPSE TOTAL



Ás vezes olho pela janela e penso na escuridão que é o meu dia. Lá fora o sol brilha radioso mas a minha alma está carregada de negro. O meu luto pelas tristezas da vida afastam-me da realidade cada vez mais distante. O negro é a única cor que vejo no sol dos meus dias.
Em tempos convenci-me que tudo poderia ser diferente, mas o destino está sempre a pregar-nos partidas..Sempre as mesmas coisas, sempre os mesmos vícios, os mesmos dados jogados. Só mudam os jogadores. Estamos numa mesa redonda e lançamos as cartas. Hoje é um dia de sorte, amanhã joga o azar, mas o poder de adivinhação é sempre igual. Caímos sempre no mesmo erro do costume. Envolvemo-nos cedo demais, damos logo tudo na primeira mão. Lançamos primeiro os ases e esquecemo-nos de guardar trunfos para o fim. Perdemos o controlo e deixamo-nos de nos saber dominar. Sofremos a cada golpe desferido sabendo que o podíamos ter evitado, que até o tínhamos previsto, mas que mais uma vez estivemos longe de o conseguir evitar, porque na realidade não queríamos que tal acontecesse.
Foi assim que eu me senti com aquela chamada. Estava tudo bem, calmo, não tão empolgante como de inicio e as palavras eram diferentes, mas as sensações mantinham-se. O riso e o abraço eram o mesmo, o beijo também, mas a mensagem estava mais distante. Uma nuvem tapou o meu sol.
O eclipse deu-se quando ninguém esperava. Foi um simples olhar e…" vais ser meu" .. E foi. Só não consigo o que não quero. O pior é mantê-lo. Não o perdi, pelo menos por enquanto mas tenho a consciência que nada vai ser igual a partir de agora. O meu medo vai crescer a cada incerteza e se as dúvidas já eram muitas no passado quando nada me fazia recear nada, mais serão agora que me sinto a apalpar terreno lamacento.
Somos tímidos, usamos palavras vagas mas as acções complementam-se. Criamos a surpresa do inesperado que é muito bom quando tudo corre bem mas não quando existe insegurança. Somos amigos, companheiros, amantes. Somos dois que às vezes são um só e quando tal acontece parece que se está a dar o eclipse total, aquele que eu pedi em tempos. Full Moon procura Rei Sol para eclipse total…
Acabei por não o procurar. Tal como o sol e a lua se encontram por vezes sem combinar nas encruzilhadas das suas rotas, assim nos cruzamos nós naquele dia de Dezembro.
Houve um clic naquela noite, nada planeado, simplesmente vi-o de forma diferente, com um olhar diferente, outra forma de o ver..Vi-o como Homem, como Pessoa e não como um desconhecido que nada me dizia. Acho que foi comum.
Fui falar a umas pessoas amigas e ele estava lá perto. Pela primeira vez dirigiu-me a palavra a mim. Naquela noite algo nos aproximou, uma força oculta do destino juntou-nos.
Pela primeira vez em muito tempo eu senti-me feliz.
Não foi muito mais que um simples beijo, mas de tão puro e inocente parecia o primeiro beijo da nossa infância. O nosso primeiro amor..Eu tremia por dentro, estava cheia de medo e senti que ele também avançou a medo. Estávamos a pisar terreno desconhecido. Não sabíamos nada um do outro, talvez hoje ainda seja assim, mas sei que não vou sentir nada assim tão breve. Estes momentos mágicos são raros na vida de alguém e na minha mais ainda. Eu vivo do amor e respiro amor. Preciso dele para sobreviver. É a coisa mais importante da minha vida. É o amor que sinto pelas pessoas, pelas coisas, pelo meu trabalho e pelos meus objectivos concretos e muito delineados que me move para a vida. O amor é a minha maior ambição. O amor para mim é ser feliz. Este amor pode parecer vago mas eu sinto amor por tudo o que é importante para mim. Eu amo um sorriso, uma flor a desabrochar na Primavera, um dia de calor, um arco-íris, os meus amigos, o meu sol..e a minha lua…o meu eclipse..total.
Naquele dia que nada fazia prever, aconteceu o inicio de uma história. Esta minha história que não é uma história de amor mas de sensações. Boas, más, estranhas e desconhecidas. Não sei se o amo de amor louco. Acho que o amo como pessoa e como fonte de felicidade. Ele faz-me feliz…
Se me perguntarem o que sinto por ele e se será amor não o sei responder pois existem muitas formas de amar e muitos tipos de amor. Gosto dele, ponto final. O que é que sentimos por alguém que nos faz bem? Que nos dá vida, ou nos faz acordar para ela e que ao mesmo tempo nos pode matar com o desgosto do fim de uma relação saudável. Mas não, ele diz-me para estar tranquila. Para não ter medo e não recear nada. Mas como me posso sentir eu assim se me diz que estamos a avançar depressa demais, que não está preparado para tanto quando eu acho que ainda não demos nada. Terei que esperar. Aguardar olhando para o lado de fora da minha janela e vendo que encontro uma nuvem a aproximar-se do meu sol. Este sol que é de todos mas que brilha para mim de uma forma especial, que me contagia quando o dia é chuvoso mas que me faz sentir a sua presença lá atrás no fundinho do céu, mesmo quando a noite se aproxima com o seu movimento brusco e impetuoso do "aqui estou eu!". Mas que é feito desse sol que parece já não brilhar da mesma maneira? Que parece não aquecer com o mesmo calor, logo agora que se aproxima a Primavera. Porque não podemos concretizar os nossos mais simples desejos do "eu quero ser feliz"? Porque não sentem duas pessoas que por vezes são só uma a mesma maneira de sentir? Porque existe a dúvida e o medo? Porque ganhamos e perdemos? Porque mais facilmente perdemos que ganhamos? Porque? Porque?

DESTINO...

Porque me deixas estas marcas tão profundas..quando tento esconder a dor..Será que te fiz assim tão mal..Apenas passei a acreditar numa esperança que não existia e que de seguida tu destruíste como bem entendeste..Magoas-me de todas as maneiras e feitios e depois pensas que é fácil esperar por ti. A esperança é vã e esgotou-se…Apenas sobrevive a dor…Cansei-me de percorrer este rio de amarguras e de remar contra a maré..Agora vou deixar que este rio me leve, talvez me afogue na saudade que tenho de ti..Vou esquecer, esquecer tudo. Esquecer que te conheci, esquecer que te tive e esquecer que fui feliz contigo..Só porque tu não me queres, mas eu sei que me amas ou que pelo menos gostas de mim..escondes-me algo, sei disso, existe algum segredo escabroso que eu não tenho conhecimento. Escondes algo nem que seja a tua simples imagem mas ela está sempre presente na minha cabeça assim como o teu nome está gravado no meu peito como uma tatuagem que eu pretendo eliminar…Porque me fazes sentir enganada..porque me fazes sofrer…será que não tens pena de mim..
Só queria esquecer este destino e apagar esta dor…Estou farta, estou cansada…Quero adormecer e acordar sem uma única memória…
Luta porque foi assim que te conheci…