
Ás vezes olho pela janela e penso na escuridão que é o meu dia. Lá fora o sol brilha radioso mas a minha alma está carregada de negro. O meu luto pelas tristezas da vida afastam-me da realidade cada vez mais distante. O negro é a única cor que vejo no sol dos meus dias.
Em tempos convenci-me que tudo poderia ser diferente, mas o destino está sempre a pregar-nos partidas..Sempre as mesmas coisas, sempre os mesmos vícios, os mesmos dados jogados. Só mudam os jogadores. Estamos numa mesa redonda e lançamos as cartas. Hoje é um dia de sorte, amanhã joga o azar, mas o poder de adivinhação é sempre igual. Caímos sempre no mesmo erro do costume. Envolvemo-nos cedo demais, damos logo tudo na primeira mão. Lançamos primeiro os ases e esquecemo-nos de guardar trunfos para o fim. Perdemos o controlo e deixamo-nos de nos saber dominar. Sofremos a cada golpe desferido sabendo que o podíamos ter evitado, que até o tínhamos previsto, mas que mais uma vez estivemos longe de o conseguir evitar, porque na realidade não queríamos que tal acontecesse.
Foi assim que eu me senti com aquela chamada. Estava tudo bem, calmo, não tão empolgante como de inicio e as palavras eram diferentes, mas as sensações mantinham-se. O riso e o abraço eram o mesmo, o beijo também, mas a mensagem estava mais distante. Uma nuvem tapou o meu sol.
O eclipse deu-se quando ninguém esperava. Foi um simples olhar e…" vais ser meu" .. E foi. Só não consigo o que não quero. O pior é mantê-lo. Não o perdi, pelo menos por enquanto mas tenho a consciência que nada vai ser igual a partir de agora. O meu medo vai crescer a cada incerteza e se as dúvidas já eram muitas no passado quando nada me fazia recear nada, mais serão agora que me sinto a apalpar terreno lamacento.
Somos tímidos, usamos palavras vagas mas as acções complementam-se. Criamos a surpresa do inesperado que é muito bom quando tudo corre bem mas não quando existe insegurança. Somos amigos, companheiros, amantes. Somos dois que às vezes são um só e quando tal acontece parece que se está a dar o eclipse total, aquele que eu pedi em tempos. Full Moon procura Rei Sol para eclipse total…
Acabei por não o procurar. Tal como o sol e a lua se encontram por vezes sem combinar nas encruzilhadas das suas rotas, assim nos cruzamos nós naquele dia de Dezembro.
Houve um clic naquela noite, nada planeado, simplesmente vi-o de forma diferente, com um olhar diferente, outra forma de o ver..Vi-o como Homem, como Pessoa e não como um desconhecido que nada me dizia. Acho que foi comum.
Fui falar a umas pessoas amigas e ele estava lá perto. Pela primeira vez dirigiu-me a palavra a mim. Naquela noite algo nos aproximou, uma força oculta do destino juntou-nos.
Pela primeira vez em muito tempo eu senti-me feliz.
Não foi muito mais que um simples beijo, mas de tão puro e inocente parecia o primeiro beijo da nossa infância. O nosso primeiro amor..Eu tremia por dentro, estava cheia de medo e senti que ele também avançou a medo. Estávamos a pisar terreno desconhecido. Não sabíamos nada um do outro, talvez hoje ainda seja assim, mas sei que não vou sentir nada assim tão breve. Estes momentos mágicos são raros na vida de alguém e na minha mais ainda. Eu vivo do amor e respiro amor. Preciso dele para sobreviver. É a coisa mais importante da minha vida. É o amor que sinto pelas pessoas, pelas coisas, pelo meu trabalho e pelos meus objectivos concretos e muito delineados que me move para a vida. O amor é a minha maior ambição. O amor para mim é ser feliz. Este amor pode parecer vago mas eu sinto amor por tudo o que é importante para mim. Eu amo um sorriso, uma flor a desabrochar na Primavera, um dia de calor, um arco-íris, os meus amigos, o meu sol..e a minha lua…o meu eclipse..total.
Naquele dia que nada fazia prever, aconteceu o inicio de uma história. Esta minha história que não é uma história de amor mas de sensações. Boas, más, estranhas e desconhecidas. Não sei se o amo de amor louco. Acho que o amo como pessoa e como fonte de felicidade. Ele faz-me feliz…
Se me perguntarem o que sinto por ele e se será amor não o sei responder pois existem muitas formas de amar e muitos tipos de amor. Gosto dele, ponto final. O que é que sentimos por alguém que nos faz bem? Que nos dá vida, ou nos faz acordar para ela e que ao mesmo tempo nos pode matar com o desgosto do fim de uma relação saudável. Mas não, ele diz-me para estar tranquila. Para não ter medo e não recear nada. Mas como me posso sentir eu assim se me diz que estamos a avançar depressa demais, que não está preparado para tanto quando eu acho que ainda não demos nada. Terei que esperar. Aguardar olhando para o lado de fora da minha janela e vendo que encontro uma nuvem a aproximar-se do meu sol. Este sol que é de todos mas que brilha para mim de uma forma especial, que me contagia quando o dia é chuvoso mas que me faz sentir a sua presença lá atrás no fundinho do céu, mesmo quando a noite se aproxima com o seu movimento brusco e impetuoso do "aqui estou eu!". Mas que é feito desse sol que parece já não brilhar da mesma maneira? Que parece não aquecer com o mesmo calor, logo agora que se aproxima a Primavera. Porque não podemos concretizar os nossos mais simples desejos do "eu quero ser feliz"? Porque não sentem duas pessoas que por vezes são só uma a mesma maneira de sentir? Porque existe a dúvida e o medo? Porque ganhamos e perdemos? Porque mais facilmente perdemos que ganhamos? Porque? Porque?

Nenhum comentário:
Postar um comentário