sexta-feira, 16 de julho de 2010

O VAGABUNDO


Andava cabisbaixa... A esperança tinha morrido pois era melhor assim. Para quê manter esperança de algo que não voltaria a acontecer? A vida estava aí. Apresentou-se a mim no outro dia e disse-me para seguir com ela. Assim o fiz. Mas há muito que não via o meu vagabundo e por isso andava triste. Ele andava sumido e eu pensava que ele tinha desaparecido. Ele pensava o mesmo de mim... Tinha andado à minha procura e nunca mais me tinha visto... Era o desencontro! Mas naquela véspera de Santo António o milagre aconteceu. Não que eu seja religiosa porque não o sou mas foi por ocasião do acaso que naquela noite nos encontramos. Por um momento esquecemo-nos que estávamos chateados. Apenas foi preciso aquele sorriso meio torcido, aquele olhar cor de mel para eu me derreter. De repente o mundo parou. No meio daquela multidão apenas restávamos nós dois. Nada à nossa volta tinha importância e bastou um cruzamento do olhar para deixarmos lá para trás no esquecimento todos os nossos problemas. Éramos felizes de novo e o mundo voltara a ser perfeito. Que saudades tinha tuas meu vagabundo. Vagabundo porque era o teu destino andar por ai a circular pela vida. E eu a pensar que tu estavas chateado comigo e tu a pensares o mesmo. Nenhum estava chateado. A falta de dialogo é que nos levou a pensar assim. Estava tudo bem e agora íamos ser felizes porque o merecíamos. O Mundo cansa-nos quando não o entendemos mas se anteriormente nele não havia compreensão agora todos os passos dados começavam a fazer sentido. Estavas diferente. Sorrias mais para mim. Mostravas mais carinho e mais saudade, embora também o fizesses antes. Mas agora estavas diferente. Mais tranquilo. As saudades fizeram-nos bem, fizeram-nos sentir a falta que o outro nos faz. As vezes nada melhor que um pequeno desentendimento para compreendermos a falta e importância que a outra pessoa nos faz. Tinhamos percebido isso. Ainda estávamos a tempo de ser felizes. Sentimos a falta um do outro e isso fez-nos bem. Agora sim o mundo sorria ao nosso lado. E tu meu vagabundo, aquele que troquei pelo príncipe encantado que não existia, estavas de volta a minha vida. Porque tu sim, eras a minha vida!

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