

Estou de luto. Mataste-me! Feriste o meu coração e trespassaste-o com mil espadas de dor. Mataste-me por dentro mas eu sobrevivi... Arranquei este luto que é o meu e matei-te a ti. Esqueci que um dia caíste no meu regaço, como uma fruta caindo de uma árvore. Verde na ingenuidade dos teus vinte anos. Verde como és. Ainda tens muito para aprender... Eu também preciso que me ensinem. Não quero voltar a comer essa fruta verde que estava envenenada. Quero aprender o antídoto para o teu doce veneno. Mas eu estou de luto por mim. Por ser aquilo que sou e ter ainda acreditado em ti. Mas matei-te! Não com as mil espadas com que me trespassaste o coração, mas matei-te hoje, hoje mesmo, da minha memória e da minha lembrança. Já não me perturbas! Já me mataste antes de eu te matar a ti e por isso já não sinto dor... Já não sinto nada. Apenas o vazio que cá deixaste e que mais tarde talvez seja preenchido por um outro fruto proibido. Este fruto será maduro. Não quero mais veneno a corroer-me o sangue. Morri mas voltei a vida para celebrar a que se inicia. Novos frutos nascerão das árvores após a Primavera e no meu Verão irei colher outros frutos mais gostosos e sem veneno. Amargaste-me a boca e a alma mas ela renasceu das cinzas tal uma Fénix. Assim sou eu depois de andar aos caídos. Estou constantemente a cair e a erguer-me porque eu sou uma árvore. Não dou fruto mas sei morrer de pé.

"simpelsmente joguei te fora do meu baralho" gostei do texto!!!!!! ;)
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