segunda-feira, 29 de março de 2010

A MÃO‏


Houve um dia em que cai. Perdi a força nas pernas e fiquei sentada no chão. Foi tudo muito rápido. Estiquei o braço e uma mão segurou-me e voltou a pôr-me de pé.
Era uma mão forte! Uma mão sem rosto!
Não sei quem me segurou! Não sei quem me elevou de novo! Foi uma força mágica e sábia! Alguém que sabia que eu estava no chão e levantou-me.
Desconheço o rosto dessa mão.
Ainda hoje procuro essa face que me ajudou… Mas como procurar um rosto que não vi?
Foi rápido demais. Não houve tempo para fixar. Gostava de ter sempre disponível uma mão que me erguesse dos tombos da vida. Uma mão que me impedisse de cair, de tropeçar, de andar aos tombos por ai.
Uma mão como a tua…

A PRINCESA


A princesa sofreu e a princesa cresceu!
Como lhe disse (E.) cresceu tanto que ficou maior que o tamanho da sua torre e não cabendo nela foi em busca de um novo destino. Cansou-se de esperar que a sorte lhe batesse à porta e foi à procura dela. Descobriu que a sorte não vem ter connosco, nós é que temos que saber alcança-la, e assim o fez. Foi ao seu encalço e descobriu que o Mundo está cheio de coisas boas, que não existem príncipes encantados nem sapos à espera de beijos para que o feitiço seja quebrado.
Finalmente, ela saiu da sua toca e foi à descoberta.
O Mundo também tem coisas boas (pensou)! E recordou-se de como era mágico o seu Mundo quando era criança.
Ficou feliz!
Voltou a ser criança com atitudes de adulta e encontrou a felicidade.
A Primavera tinha chegado e as flores começavam a desabrochar…
Como o Mundo era belo… como as flores eram lindas e coloridas… como os raios de sol espreitam por detrás do arco-íris…
Era um Mundo novo e cheio de esperança. Muito diferente do que ela observava do alto da sua torre… e agradeceu:
- Obrigado (E.).

RECADO


Todos nós vemos o nosso amor desperdiçado. Por isso devemos traze-lo para a vida, faze-lo ressuscitar. Não o deixes fugir porque ele é necessário para ser quem és. Não desperdices o amor mas também não te desperdices a ti. Luta sempre por algo que lhe valha a pena, caso contrário é uma luta desigual, desnecessária, sem sentido…

quarta-feira, 24 de março de 2010

A PAREDE


Estou num Mundo dividido. Estou cortada a duas metades. Dois destinos diferentes. Estou num lado em que se encontra a minha vida e quero passar uma parede de vidro para viver os meus sonhos. Estou farta desta realidade em que estou inserida e quero ir até ao outro lado da parede. Quero conquistar o Mundo mágico que idealizo e observo através do vidro. Quero ver o que há para além daquilo que vivo. Quero atingir os meus objectivos, ser feliz.

Deparo-me com esta barreira invisível que me prende. Quero transpo-la. Quero mais. Quero mais do que tenho. Quero ser feliz.Quero passar para o lado de lá. Não posso mais ficar aqui. Sinto-me presa. Tenho que encontrar uma solução rápida para não enlouquecer. Estou a dar em louca e não vou entrar em declínio.

Que poderei fazer?

Vou partir esta parede de vidro e então serei feliz!

segunda-feira, 22 de março de 2010

PEGADAS NA AREIA


A praia no Inverno tem outro gosto. É solitária, tem um encanto mágico, uma outra harmonia e é quando eu gosto de lá ir. Pessoas passeiam-se no meio da neblina e tu vens ao meu lado, de mãos dadas comigo. Caminhamos pelo destino.
É Inverno mas não está frio. Caminhamos descalços pela beira-mar, deixando pegadas na areia. Deixamos o nosso rasto para trás. São como pequenas marcas de lembranças que se gravam naquele local. É como a marca do teu nome que lá deixas. E caminhamos a largos passos… Andamos, andamos seguindo a linha do horizonte que marca o traço da nossa vida. A água salgada toca-nos nos pés. Está gelada mas não nos incomoda. Provoca-nos arrepios na espinha mas é uma boa sensação. Marcamos os nossos passos na areia e caminhamos lado a lado. Abraçamos-nos e vemos o sol fraquinho a querer rebentar em força por entre as nuvens. Aquele calor ainda tímido assemelha-se à timidez do nosso beijo.
Falamos dos nossos planos futuros. Fazemos planos para uma vida que não será a nossa. Será a nossa doce recordação. Não vai passar disso. Mas tu ainda caminhas a meu lado. Ainda me aqueces. Ainda me dás o prazer da tua companhia.
Vamos juntos. O mar enrola-se a nossos pés. Parece atrapalhado com a nossa presença. Envergonhado, talvez!?
Sigo pela linha do destino. Deixo as minhas pegadas e sigo o meu percurso.
Olho para o chão, para a marca das nossas pegadas na areia. Apenas vejo os meus passos! Onde andas tu? Onde ficaste? Porque voltaste para trás num caminho que era o nosso? Já não estás comigo.
Agora caminho sozinha…

A LÁGRIMA


Sinto um aperto no peito. Estou tensa. O dia corre-me mal. Não há motivo aparente para tal acontecer. Estou aborrecida e só. Sinto-me só, no meio de gente. Preciso de ver caras novas. Hoje á noite vou tratar disso. Vou ter com gente, gente nova e desconhecida. Gente que me quer ver. Gente que eu também quero ver para lavar a minha vista. Porque estou farta destas lágrimas. Estas lágrimas que me escorrem pelo rosto e que há muito não são salgadas. São lágrimas de sangue. Das angústias dos tempos que correm. Do desespero desta solidão que penetrou na minha vida de forma perene. E este aperto que sinto no peito é do sangue que me escorre pelo rosto. Já não consigo ver da mesma forma. Tenho os olhos baços. Não vejo bem e quero ver. Quero ver tudo. Quero ver muita coisa. Quero ver um novo mundo diferente daquele onde vivem as pessoas comuns.
E por isso mesmo hoje vou explorar novas conquistas. Vou partir à descoberta de novos mundos. E a lágrima de sangue que me corria pelo rosto vai perder-se pelo seu caminho. E vai acabar por desaparecer.. definitivamente… Para sempre!

O BEIJO


Senti os lábios molhados. Era o teu sabor que reconhecia naquele beijo. Nem foi preciso olhar, abrir os olhos. Já conheço de cor o teu toque, o teu gosto. Sinto os teus lábios colados aos meus e recordo-me da inocência do primeiro beijo que me deste. Apanhaste-me de surpresa e pediste-me desculpa. Desculpa do quê? De não me teres beijado mais cedo? Talvez apenas isso não te conseguiria perdoar. Ambos o desejávamos. Simplesmente tu foste mais corajoso e tomaste a iniciativa. Mas aquele beijo levou-nos à nossa infância. Fez-nos recuar aos velhos tempos e eu gravei aquele momento para sempre.
Agora tens a mesma vontade de me beijar mas tens medo. Tens medo que eu te prenda, que te enrole no meu destino e por isso foges. Eu vou deixar-te ir. Vou deixar que vás embora pois não te quero prender. Perdi a esperança para sempre mas vou guardar o sabor do nosso primeiro beijo. O beijo de dois adultos que pareciam crianças de volta ao seu primeiro amor…

DESEJO


A mulher é um animal com o cio. Anda constantemente à procura de aventura, de presa nova mas na realidade o que ela pretende mesmo é alguém que a proteja… Dá-se mal com isso! Poucos são aqueles que conhecem esse segredo e os disponíveis já estão todos ocupados assim como os lugares do metro em hora de ponta. Mas os homens são presas fáceis e basta à mulher insinuar-se para ter tudo o que deseja. Eu infelizmente não sou assim! Por baixo desta capa de mau feitio esconde-se uma pessoa doce e apaixonada. Não consigo envolver-me com um homem sem sentir por ele mais do que desejo. Não vejo este ser humano tão diferente de nós como um objecto mas sim como pessoa. Mas também vou à caça! Vou procurar os gambuzinos que andam por ai perdidos…
Eu desejo e por desejar tanto, desejo-te a ti! És tu que me satisfazes, que me colocas lá no alto, no topo da montanha. Provocas-me desejo só com o teu olhar. Olhas para mim e vejo que me desejas. Que patetas somos quando não o admitimos. Queremos parecer fortes mas o nosso corpo arde. Que ganhamos com isso? Apenas perdemos, assim como nos perdemos um ao outro quando estamos juntos. Eu sei o que sentes por mim. Então porque não o admites? Sentes o mesmo que eu sinto e anseias pelo mesmo que eu.
Queremo-nos um ao outro e a isso chamamos desejo!

quarta-feira, 17 de março de 2010

SINTO QUE CARREGO O MUNDO ÀS MINHAS COSTAS...


Sinto que carrego o Mundo às minhas costas e não aguento. É pesado demais! Não vejo forma disto acabar. Estou só e sofro. Carrego este fardo pesado. Doí-me tudo. Doí-me o coração que está dilacerado. Doí-me sofrer. Doí-me ver que à minha volta nem todos estão bem.

Deixei de ser egoísta. A minha dor acabou! Agora doí-me a dor dos outros. Daqueles que sofrem à minha volta. Mas este Mundo é tão pesado! Carrego-o às costas! Sinto o seu peso sobre a minha fragilidade.

Eu já não existo! Já não quero saber de mim! Já não me preocupo. Sofro a tua dor e transporto-a sem conseguir diminui-la.

Como faço Para não te mentir e proteger? Devo dizer a verdade e magoar-te?

Já não sei! Porque me fizeram isto? Porque me deram os seus problemas quando eu já tinha os meus?

Ai como doí conhecer a dor dos outros!

Tenho o coração ferido.

Porque tenho que saber coisas que não quero ouvir?

Como ajudar o Mundo que está em queda?

Porque tenho este peso nos ombros?

Porque me desafiaste tu a decifrar o enigma daquilo que eu não queria saber?

Achas que preciso ganhar peso para não voar e atiras-me o Mundo que eu não quero conhecer para cima de mim?

Eu carrego!

Eu transporto!

Sou uma espécie de Sísifo que todos os dias eleva a pedra para o topo da montanha para no dia seguinte o tornar a fazer.

Eu carrego o peso do Mundo às minhas costas e não quero esta responsabilidade.

É pesada demais!

terça-feira, 16 de março de 2010

PAIXAO


Paixão é o teu nome que tenho guardado no meu telemóvel. Porque assim o quis meter e porque ele quis ficar assim. Mas a paixão tem que ser alimentada e tu já não me alimentas. Pelo contrário. Consomes-me. Fazes crescer a minha angustia e dás cabo de mim. Talvez isso te dê prazer. Eu tenho prazer de outras formas como quando estás dentro de mim, não só do meu corpo num momento de luxuria, mas dentro do meu peito que até então ardia na ânsia de te voltar a encontrar. Mas tu perdeste os meus passos e eu perdi os teus. Percorremos caminhos diferentes quando antes tinha um traçado só nosso. Paixão é o sentimento que ainda sinto por ti mas que quero fazer desaparecer assim como tu fizeste. Paixão é ainda o único nome que me quero lembrar de ti, pois esse ainda me deixa bons momentos. O teu verdadeiro nome esse quero esquecer. Quero apagar da minha memória. Não quero voltar a encontra-lo nas palavras da vida. Paixão esse teu nome belo que eu te coloquei, esse que vou preservar na minha lembrança e espero voltar a encontrar. Talvez não em ti, não no teu nome real, talvez noutra pessoa. E se recuperar as minhas feridas que tardam em sarar talvez ainda o diga, não a ti pois não mais voltarei a ver-te mas a alguém que seja digno dele.

ARTISTAS DE CIRCO


Apareceste!

És o terceiro rosto da minha história. Surges do nada quando menos espero. Não sei o que pretendes com a tua chegada. Partiste da mesma forma que ele partiu e deixaste-me com as mesma dor que estou a sentir. Abandonaste-me pelos mesmos motivos.

És um mágico ilusionista que aparece para me salvar mas desapareces entre multidões no mesmo palco de circo onde actuas. Porque apareces sempre quando a hora parece certa e desapareces logo de seguida para me deixar de novo a dor? Porque chegas quando tento esquecer o sofrimento que um outro artista me impôs, que me iludiu tanto, quando o que tu pretendes é apenas utilizar-me em mais um número? Para quê tanto espectáculo se vou ficar sem ninguém? Não há plateia para assistir! Tal como eu foram afugentados pelos falsos artistas de circo que são vocês. Que queres agora? Surges como uma vã esperança na actuação da vida. Envolves-me na tua teia e bates-me à porta para eu te deixar entrar.

Não abro!

Estou acompanhada!

Estou aqui mais a solidão!

Porque vão e vêm estes palhaços, artistas de circo para me iludirem com os seus truques de magia?

Estou cansada do ilusionismo em que me deixaram e nenhum dos dois me faz rir.

Porque volta um que hoje quer e amanha já não? Porque vai o outro que não quer agora e depois talvez?

Serei assim um mostrengo tão horrível de rosto e atitudes para terem medo de mim?

Porque é que hoje querem e amanha já não?

Porque voltam e vão embora com números de ilusionismo que eu nunca compreendi?

Eu sou a artista que anda na corda bamba em busca do equilíbrio! Ando por um trapézio sem rede mas se cair não tenho quem me agarrar.

Odeio o circo!

Odeio palhaços!

Odeio vocês os dois!

ROSA DE PAPEL


Eu sou como uma rosa acabada de colher. Tenho a frescura da vida enquanto vivo e tenho espinhos. Foi aí que te feriste quando me tentaste agarrar. Mas eu gostei de ti e por esse motivo transformei-me numa rosa de papel. A minha vida passou a ser eterna a teu lado. Sem mágoas, sem espinhos e sem dor. Mas tu abusaste. Cansaste-te desta velha rosa de papel a amachucaste-me. Agarraste-me com a tua mão enorme e deitaste-me fora. Sou um lixo. Sou uma rosa de papel sem espinhos num balde de reciclagem. Fizeste-me perder a minha cor e feriste-me. Livraste-te de mim como alguém se livra dos trastes velhos. Perdi o brilho natural para ser a tua rosa de papel e tu deitaste-me fora. Agora ando por aí, tal como lixo a reciclar a vida.

CHUVA


O tempo está a mudar. Vem ai chuva! Estou cansada deste tempo mas talvez seja melhor assim. Talvez esta chuva sirva para apagar as últimas recordações que tirei de ti.

Estava uma tarde de sol quando te vi pela última vez. Estavas de costas e descias a minha rua solitária. Fumavas um cigarro, talvez tentando apagar o último sabor do meu beijo. Senti que era a derradeira despedida. Não ficaram promessas para trás nem um novo encontro prometido. Era o fim de um sonho apenas meu...

Mas a chuva vai cair e vou deixa-la tocar no meu rosto. Vou deixa-la lavar do meu corpo o resto das recordações. Vou esquecer quem és e quem foste. Vou eliminar da minha lembrança o sabor do teu toque, as últimas sensações do teu corpo enleado no meu, o último momento de prazer...e vou esquecer aquela tarde quente de Inverno em que o sol roubava a tua sombra e que te tirava de mim...e lá ias tu, descendo a rua na incógnita do destino que não mais querias partilhar comigo. Por isso agora chove...e a chuva leva-me as últimas imagens que tenho de ti porque sei que não voltarás a ser meu..e quando esta chuva passar já não vão ficar lembranças tuas no meu rosto. Foram apagadas pelas atitudes e mesmo que o sol volte a brilhar quente, numa tarde de Inverno, já não estarás ali, a descer a minha rua, nem eu estarei à minha porta a despedir-me de ti antes de voltar para a cama ainda aquecida pelos movimentos dos nossos corpos.

SEGREDO


Existe um segredo que eu não posso revelar. Desconheço-o e tenho medo de o descobrir. Sei que ele transporta algo escabroso, algo que não sei. É por isso que não o posso contar. Como falamos de algo que não sabemos, quando mesmo que tenhamos conhecimento não o dizemos na mesma? Assim existe este segredo que eu não sei e que já não sei se o quero saber. Mas ele mete-me medo e não descanso enquanto não o descobrir. Mas será que vai ser bom para nós desvendá-lo? O que me escondes? Diz-me tu do que te escondes? Se é um íman que nos junta quando estamos próximos porque existe este segredo entre nós. Ou será este segredo uma mentira que eu transformei em segredo, ou será uma ilusão da minha cabeça para perdoar os erros cometidos por ti e que eu não compreendo. O que queres de mim para além de me quereres tanto quanto eu te quero? Este é o nosso segredo.

VOAR


Sossego é o que preciso de sentir neste momento, por isso aperto a tua mão com força e voo para longe daqui. Levo-nos para um lugar tranquilo onde só precisamos um do outro para sobreviver. Um refúgio como o meu quarto quando passas as noites comigo…
Como o tempo passa a correr quando estou contigo e como tarda a hora de te reencontrar quando estou longe de ti. Por isso, nesses momentos, refugio-me no meu pensamento. Escondo-me nas nossas recordações , esquecendo que lá fora o mundo existe, vive e voo sem destino na tua direcção. Não tenho asas para voar, não sou nenhuma ave rara, não sou o colibri que carrego ao ombro mas sou eu…aquela que tem uma força interior poderosa e que pode voar nos trilhos da imaginação. Aquela que voa sempre em direcção a ti, porque tu és um íman que me atrai e que me repela mas já sou imune a tudo isso porque agora estou tranquila e voo. Voo em direcção a ti, voo contigo, voo em direcção ao nosso destino porque sei que tu estarás lá à minha espera.

A CHAVE


Precisei de ti e tu não me escutaste. Chamei por ti e tu tapaste os teus ouvidos para não vires em meu auxilio.
Guarda o teu beijo. Guarda-o junto das palavras que me dizes, que me magoam e que eu não quero ouvir.
Estou a deitar fora as tuas recordações. Vou enterrá-las no poço sem fundo no qual me colocaste e eu consegui sair.
Vai-te embora. Leva a tua lembrança e os restos de ti. Esta porta fechou-se e eu deitei a chave fora.
O que é a morte senão a espera que um momento de dor se acabe. Assim mataste o meu amor. Mataste-o com as tuas acções, com os teus gestos de criança mimada que se julga adulta. Mas eu tranquei a porta ao meu sentimento e este não voltará a entrar. Deitei a chave fora e esta porta não voltará a abrir. Tranquei-te do outro lado onde é o teu lugar, como um cão sem dono que pede guarida em casa alheia. Podes tentar arromba-la mas não vais conseguir…

segunda-feira, 15 de março de 2010

LUTO




Estou de luto. Mataste-me! Feriste o meu coração e trespassaste-o com mil espadas de dor. Mataste-me por dentro mas eu sobrevivi... Arranquei este luto que é o meu e matei-te a ti. Esqueci que um dia caíste no meu regaço, como uma fruta caindo de uma árvore. Verde na ingenuidade dos teus vinte anos. Verde como és. Ainda tens muito para aprender... Eu também preciso que me ensinem. Não quero voltar a comer essa fruta verde que estava envenenada. Quero aprender o antídoto para o teu doce veneno. Mas eu estou de luto por mim. Por ser aquilo que sou e ter ainda acreditado em ti. Mas matei-te! Não com as mil espadas com que me trespassaste o coração, mas matei-te hoje, hoje mesmo, da minha memória e da minha lembrança. Já não me perturbas! Já me mataste antes de eu te matar a ti e por isso já não sinto dor... Já não sinto nada. Apenas o vazio que cá deixaste e que mais tarde talvez seja preenchido por um outro fruto proibido. Este fruto será maduro. Não quero mais veneno a corroer-me o sangue. Morri mas voltei a vida para celebrar a que se inicia. Novos frutos nascerão das árvores após a Primavera e no meu Verão irei colher outros frutos mais gostosos e sem veneno. Amargaste-me a boca e a alma mas ela renasceu das cinzas tal uma Fénix. Assim sou eu depois de andar aos caídos. Estou constantemente a cair e a erguer-me porque eu sou uma árvore. Não dou fruto mas sei morrer de pé.

HISTÓRIA DE ENCANTAR


Esta é uma história de encantar cheia de desencanto. Embora seja chamada de encantar não tem um final feliz por isso não começa da mesma forma que todas as histórias de encantar. Aqui não existe o "era uma vez", nem o "viveram felizes para sempre" mas há dias em que precisamos de ouvir uma história de encantar e esta começa assim...

... Uma noite, um certo princípe saiu do seu castelo para se divertir e deslocou-se a um reino vizinho. Lá, viu uma bela moça que o encantou e raptou-a no final do baile. Não por maldade, mas pela força da paixão... Ela foi a medo, mas de livre vontade...

Levou-a até ao seu castelo e divertiram-se até ao raiar do sol. Ela foi feliz mas tinha que regressar ao seu reino e o princípe levou-a.

Ao contrário dos outros princípes este não montava um cavalo branco. Montava um leão.

Lá a deixou a porta da muralha na languidez de um beijo e seguiu o seu caminho.

A moça não era princesa. Não tinha sangue nobre e vivia numa torre de um castelo abandonado, de um reino sem rei. Toas as noites esta princesa avistava ao longe, bem do alto da sua torre, a chegada do seu princípe montado no seu leão... Todos os dias ele aparecia e todas as manhas ele acordava aquela bela adormecida com um caloroso beijo dizendo-lhe: " Tu até tens nome de Princesa".

Eram felizes e foram durante bastante tempo... Não durante tanto tempo como aquela falsa princesa desejava.

Um dia ela aguardava-o lá no alto da sua torre e ele não apareceu... Passaram-se dias e dias e a pobre princesa nunca mais saiu lá do alto.

Chorou. Chorou. Chorou e voltou a chorar. Chorou tanto que a sua alta torre se transformou numa ilha intransponível... E ela lá ficou a pensar e a pensar... Sabia que o seu princípe gostava dela e não mais saiu da torre na esperança que ele a fosse salvar... Mas ele não voltou e não a socorreu... Ela pensou que o seu princípe lhe escondia algo. Talvez ele estivesse prometido a uma verdadeira princesa...e de tristeza profunda ela sucumbiu na sua dor!

O MEU ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA


Estou de olhos vendados. Não vejo nada, nem ninguém. Procuro à minha volta! Sinto barulho, sinto o burburinho das pessoas que me rodeiam. Sinto o seu cheiro. Há muita gente mas eu estou só e ninguém me vê. Sou transparente e ceguei de egoísmo. Penso que alcanço tudo o que quero! Julgo conseguir controlar o mundo e o meu destino, mas é mentira e é na mentira que vivo.. Vivo uma mentira que só para mim é real. Julgo que tenho tudo e o que tenho é nada. É um punhado de areia que ao fechar a minha mão com força me escorre entre os dedos. Essa areia é tudo o que me foge. É tudo o que me é querido e é tudo o que quero.

Ceguei.

Não vejo nada. Puro egoísmo da minha parte...

Ceguei os outros que deixaram de me ver.

Perdi, mas vou ganhar...

Vou ganhar novamente porque tenho força e vou conseguir tudo o que quero... Sempre foi assim...

Outro tempo, outra vontade, outra pessoa: eu e a próxima.

Outro mundo, outra cor... Um mundo colorido e cheio de vida onde serei eu que darei as pinceladas de cor...

Quem manda sou eu e eu sou forte! A vida voltará a sorrir. O que irá acontecer?

Voltarei a encontrar-me naquele local cheio de gente... Tirarei a venda que me cobre o olhar e voltarei a ver!

Nesse momento as pessoas voltarão a olhar para mim!

ESPELHO


Já não vejo o meu reflexo... Perdi a imagem real que tinha de mim. Vivo agora na ilusão... Na esperança de alcançar uma miragem que me faça encontrar o meu EU. Confundi-me nas confusões da vida e agora procuro a minha imagem. Não a vejo, nem vejo o meu reflexo em lado algum. Porque não vejo a minha imagem quando me olho ao espelho?Porque procuro sem sucesso a razão do meu ser? É complicado falar de mim quando não me encontro. Este procura incessável de mim mesma perturba-me. Caí bem fundo na mágoa de um abismo interminável, sem explicação razoável, apenas porque o meu reflexo desapareceu. Que será de mim agora que acordo todas as manhas e ao olhar para o espelho não me vejo? Será que a minha dor cegou-me?

Os meus sentidos começam a falhar-me. Perco forças. Não encontro paz. Não sei onde ela se enfiou pois esconde-se de mim...

Procuro-me na margem de um riacho como um narciso que se contempla, mas não me vejo.

Apercebo-me que caí perdida dentro do lago das emoções.

Penso.

Procuro.

Acho a minha resposta.

Encontro então a razão...

Descubro o porque de não ver o meu reflexo em lado algum!

Que egoísta sou, que penso em mim e nos meus sentimentos.

Encontro, porem, o meu reflexo.

Está no espelho da minha vida, no seu interior.

Lá dentro!

No outro lado do espelho!

A ESCADA


Deparo-me no meio de uma escadaria.
Onde estou?
Não sei!
Que caminho devo seguir? Estou perdida e não sei!
Aqui estou eu desamparada e com medo de cair. Não tenho para onde me lançar pois estou no meio de um lance de escadas onde não vejo o principio nem o fim.
Que fazer?
Subir?
Descer?
Porque estou aqui?
Porque parece que estou num labirinto sem entrada e saída?
Para onde devo de ir?
Cansei de esperar. De perguntar em vão onde estás e por onde andas… Porque não vens aqui para me salvar, salvando-te a ti próprio.
De que tens medo?
Será da dor?
A tua não será maior que a minha! Estarás no meio desta escadaria?
Onde estas? Não te vejo?
Procura-me. Pois quero encontrar-me e só o farei quando estiver novamente junto de ti.
Que dor esta que me percorre o corpo! Tantos pontos de interrogação na minha cabeça!
???
Estou perdida no meio desta encruzilhada a que chamamos destinos e o meu tem sido cruel comigo, assim como tu.
Estou farta!
Cansada disto tudo e de ti. Mas como posso estar cansada de ti se é contigo que quero estar? Talvez esteja cansada da tua ausência.
Procuro-te.
Subo e desço estas escadas sem fim. Triste sina pois não te encontro, nem me encontro a mim…
Agora percebo o quanto estou perdida. Estou perdida de dor e estou perdida por ti.
Cansei-me!
Estou mesmo farta!
Quero fugir e não tenho para onde ir.
Que faço?
Choro, choro e volto a chorar porque não consigo fazer outra coisa.
Que fazer?
Nada…
Olho em redor e…
Sento-me!!!

ANJOS & DEMÓNIOS




Não quero ser um anjo de asas caídas, despida de pudores e cheia de ingenuidade. Também não quero ser um demónio ardente, queimando tudo o que me rodeia. Não quero pureza mas também não quero corromper… Não quero ser a boa rapariga que vai para o céu, quero ser a rapariga que vai para todo o lado!
O meu fundo é bom mas tem um lado obscuro que de vez em quando se revela.
Hoje vai revelar-se…
Não existe maldade em mim, apenas a malícia do desejo carnal… Os anjos não têm sexo…então para que servem? Não é bom ser-se um anjo quando se fica por conhecer um dos mais profundos prazeres da vida… O meu corpo arde em emoções e todos os poros da minha pele estão carregados de tentações…
Não serei anjo porque estes não existem. Não há um mundo perfeito. Não quero um demónio só porque tenho frio e tu não me aqueces… Quero o misto dos dois… Talvez um anjo de asas negras que não é mais do que o simples ser humano… Cheio de qualidades e defeitos…assim como eu e tu…
Ninguém é perfeito e poucos se preocupam em atingir a perfeição. Eu tento procurar no meu demónio o seu lado de anjo porque é esse que me protege. Mas tu agora não és assim. Não me procuras e não me queres. Atormentas-me a minha mente e fazes renascer todos os demónios que existem dentro de mim. Destróis-me como uma tempestade…Trazes-me a dor da saudade e da incerteza… Não sei qual delas dói mais..Só quero esquecer isto…Esquecer o Inferno em que passei a viver e voltar ao Paraíso para o qual me transportaste quando te conheci..Serás o meu eterno anjo de asas negras que tento apagar da minha memória. Eu não sou anjo mas tu também não!


Que seremos então?


Demónios?!

quinta-feira, 11 de março de 2010

SEXTA FEIRA



Sexta-feira..Lá ia eu no expresso a caminho de Nisa envolta em pensamentos..A segunda circular estava o caos de todas as sextas feiras...Passam sempre grandes maquinas por mim..e passou uma PICASSO, não que seja uma grande máquina mas porque sempre me imaginei dentro de uma.E assim entrei no sonho...o oposto da minha vida..Neste momento já não estava no expresso.Estava na Picasso. A meu lado o Homem que me fará feliz, quem é não sei pois não tem rosto mas naquele local sou especial e totalmente realizada..Lá atrás estão o Ivan, o André, o Henrique..e o Sebastião, o meu Labrador branco..que nos acompanha sempre para todo o lado. Os meus três filhos ainda trazem a farda do colégio..A vida não me corre mal e quero dar-lhes a melhor educação... Aos poucos começam a ficar vencidos pelo cansaço e vão adormecendo..e o Homem ao meu lado aperta-me a mão para me confortar...A viagem será longa?? Não sei...Mas estou feliz, muito feliz e sou feliz...Este sonho persegue-me há muito tempo...não será uma realidade...será sempre um sonho e por isso é tão bom..Não penso casar..já estou a começar a perder as hipoteses...Filhos será dificil...principalmente Três...e prefiro gatos embora o mais real deste sonho possa ser o Sebastião...O Homem a meu lado....Aquele sem rosto que me faz feliz...esse concerteza serás tu!

ECLIPSE TOTAL



Ás vezes olho pela janela e penso na escuridão que é o meu dia. Lá fora o sol brilha radioso mas a minha alma está carregada de negro. O meu luto pelas tristezas da vida afastam-me da realidade cada vez mais distante. O negro é a única cor que vejo no sol dos meus dias.
Em tempos convenci-me que tudo poderia ser diferente, mas o destino está sempre a pregar-nos partidas..Sempre as mesmas coisas, sempre os mesmos vícios, os mesmos dados jogados. Só mudam os jogadores. Estamos numa mesa redonda e lançamos as cartas. Hoje é um dia de sorte, amanhã joga o azar, mas o poder de adivinhação é sempre igual. Caímos sempre no mesmo erro do costume. Envolvemo-nos cedo demais, damos logo tudo na primeira mão. Lançamos primeiro os ases e esquecemo-nos de guardar trunfos para o fim. Perdemos o controlo e deixamo-nos de nos saber dominar. Sofremos a cada golpe desferido sabendo que o podíamos ter evitado, que até o tínhamos previsto, mas que mais uma vez estivemos longe de o conseguir evitar, porque na realidade não queríamos que tal acontecesse.
Foi assim que eu me senti com aquela chamada. Estava tudo bem, calmo, não tão empolgante como de inicio e as palavras eram diferentes, mas as sensações mantinham-se. O riso e o abraço eram o mesmo, o beijo também, mas a mensagem estava mais distante. Uma nuvem tapou o meu sol.
O eclipse deu-se quando ninguém esperava. Foi um simples olhar e…" vais ser meu" .. E foi. Só não consigo o que não quero. O pior é mantê-lo. Não o perdi, pelo menos por enquanto mas tenho a consciência que nada vai ser igual a partir de agora. O meu medo vai crescer a cada incerteza e se as dúvidas já eram muitas no passado quando nada me fazia recear nada, mais serão agora que me sinto a apalpar terreno lamacento.
Somos tímidos, usamos palavras vagas mas as acções complementam-se. Criamos a surpresa do inesperado que é muito bom quando tudo corre bem mas não quando existe insegurança. Somos amigos, companheiros, amantes. Somos dois que às vezes são um só e quando tal acontece parece que se está a dar o eclipse total, aquele que eu pedi em tempos. Full Moon procura Rei Sol para eclipse total…
Acabei por não o procurar. Tal como o sol e a lua se encontram por vezes sem combinar nas encruzilhadas das suas rotas, assim nos cruzamos nós naquele dia de Dezembro.
Houve um clic naquela noite, nada planeado, simplesmente vi-o de forma diferente, com um olhar diferente, outra forma de o ver..Vi-o como Homem, como Pessoa e não como um desconhecido que nada me dizia. Acho que foi comum.
Fui falar a umas pessoas amigas e ele estava lá perto. Pela primeira vez dirigiu-me a palavra a mim. Naquela noite algo nos aproximou, uma força oculta do destino juntou-nos.
Pela primeira vez em muito tempo eu senti-me feliz.
Não foi muito mais que um simples beijo, mas de tão puro e inocente parecia o primeiro beijo da nossa infância. O nosso primeiro amor..Eu tremia por dentro, estava cheia de medo e senti que ele também avançou a medo. Estávamos a pisar terreno desconhecido. Não sabíamos nada um do outro, talvez hoje ainda seja assim, mas sei que não vou sentir nada assim tão breve. Estes momentos mágicos são raros na vida de alguém e na minha mais ainda. Eu vivo do amor e respiro amor. Preciso dele para sobreviver. É a coisa mais importante da minha vida. É o amor que sinto pelas pessoas, pelas coisas, pelo meu trabalho e pelos meus objectivos concretos e muito delineados que me move para a vida. O amor é a minha maior ambição. O amor para mim é ser feliz. Este amor pode parecer vago mas eu sinto amor por tudo o que é importante para mim. Eu amo um sorriso, uma flor a desabrochar na Primavera, um dia de calor, um arco-íris, os meus amigos, o meu sol..e a minha lua…o meu eclipse..total.
Naquele dia que nada fazia prever, aconteceu o inicio de uma história. Esta minha história que não é uma história de amor mas de sensações. Boas, más, estranhas e desconhecidas. Não sei se o amo de amor louco. Acho que o amo como pessoa e como fonte de felicidade. Ele faz-me feliz…
Se me perguntarem o que sinto por ele e se será amor não o sei responder pois existem muitas formas de amar e muitos tipos de amor. Gosto dele, ponto final. O que é que sentimos por alguém que nos faz bem? Que nos dá vida, ou nos faz acordar para ela e que ao mesmo tempo nos pode matar com o desgosto do fim de uma relação saudável. Mas não, ele diz-me para estar tranquila. Para não ter medo e não recear nada. Mas como me posso sentir eu assim se me diz que estamos a avançar depressa demais, que não está preparado para tanto quando eu acho que ainda não demos nada. Terei que esperar. Aguardar olhando para o lado de fora da minha janela e vendo que encontro uma nuvem a aproximar-se do meu sol. Este sol que é de todos mas que brilha para mim de uma forma especial, que me contagia quando o dia é chuvoso mas que me faz sentir a sua presença lá atrás no fundinho do céu, mesmo quando a noite se aproxima com o seu movimento brusco e impetuoso do "aqui estou eu!". Mas que é feito desse sol que parece já não brilhar da mesma maneira? Que parece não aquecer com o mesmo calor, logo agora que se aproxima a Primavera. Porque não podemos concretizar os nossos mais simples desejos do "eu quero ser feliz"? Porque não sentem duas pessoas que por vezes são só uma a mesma maneira de sentir? Porque existe a dúvida e o medo? Porque ganhamos e perdemos? Porque mais facilmente perdemos que ganhamos? Porque? Porque?

DESTINO...

Porque me deixas estas marcas tão profundas..quando tento esconder a dor..Será que te fiz assim tão mal..Apenas passei a acreditar numa esperança que não existia e que de seguida tu destruíste como bem entendeste..Magoas-me de todas as maneiras e feitios e depois pensas que é fácil esperar por ti. A esperança é vã e esgotou-se…Apenas sobrevive a dor…Cansei-me de percorrer este rio de amarguras e de remar contra a maré..Agora vou deixar que este rio me leve, talvez me afogue na saudade que tenho de ti..Vou esquecer, esquecer tudo. Esquecer que te conheci, esquecer que te tive e esquecer que fui feliz contigo..Só porque tu não me queres, mas eu sei que me amas ou que pelo menos gostas de mim..escondes-me algo, sei disso, existe algum segredo escabroso que eu não tenho conhecimento. Escondes algo nem que seja a tua simples imagem mas ela está sempre presente na minha cabeça assim como o teu nome está gravado no meu peito como uma tatuagem que eu pretendo eliminar…Porque me fazes sentir enganada..porque me fazes sofrer…será que não tens pena de mim..
Só queria esquecer este destino e apagar esta dor…Estou farta, estou cansada…Quero adormecer e acordar sem uma única memória…
Luta porque foi assim que te conheci…