sexta-feira, 16 de julho de 2010

FIM


Secaram-se as lágrimas. Acabou-se a dor e foi o fim. Assim é bem melhor. Cada um segue os traços do seu caminho. Eu afasto-me e tu não ficas com medo. Assim já não ficas nervoso e eu vou a minha vida. Tenho muito que viajar. Tenho muito que procurar. Tenho muito que encontrar. Só me perdes se quiseres. Eu própria me perdi nos teus enleios. É bom perder-me sem me encontrar, enrolada no teu corpo. Assim como o tempo surge mais lento ou mais devagar, também o nosso tempo se transforma. O fim de nada pode ser o principio de tudo. Tens medo de me ter e de me perder, mas tens que te decidir. Queres ficar tranquilo e eu dou-te tranquilidade. Mas também dou-te aventura e dou-te aquilo que graças a mim hoje sabes fazer. O que aprendeste fui eu que te ensinei e tu transformaste o meu desejo em delírio. Mas será o fim? Duvido que o seja. Já nos afastamos e já descobrimos que tal é impossível. Avançamos com calma, como um mar que se transforma em lago mas que mais tarde se revolta e à rebelia cria ondas abomináveis de prazer. Nunca chorei contigo. Não me dás vontade de chorar. Nem de alegria, embora só esses momentos vivo contigo. Mas ajudaste-me muitas vezes a limpar as lágrimas invisíveis que cobriam em segredo o meu rosto. Secaram-se as lágrimas e estou feliz por estar contigo, mas cada um dá os seus passos. Não é necessário caminharmos juntos. Podemos sempre encontrar-nos naquele local secreto onde sempre nos costumamos encontrar. Sabes qual é e eu também. É o local secreto onde se encontra o nosso coração!

NÃO‏


Não!

Esta palavra dita repetidas vezes confunde-me o sistema.

Não isto, não aquilo.

Não posso, não quero, não queres.

Mas que raio de palavra tão negativa que encontro constantemente nos meus textos.

Porque é que a palavra (não) é tão forte.

A mim Não me mete medo.

Não tenho medo do não.

Tantas e tantas vezes a tememos mas só acontece se nos deixarmos afectar por ela.

O (Não) não me mete medo, não me assusta.

Porque teremos nós que pensar que tem que ser necessariamente negativo. O não pode ser bom quando o utilizamos correctamente. Podemos dizer: " hoje não estou triste..." e isso é bom, por isso vou transformar o não em algo agradável na minha vida.

O não vai ganhar outro significado e vai fazer-me igualmente feliz como a palavra sim.

As coisas só são necessariamente más quando tu assim as transformas.

Quem comanda o seu sentido e significado és tu e eu.

Ser positivo é saber ser feliz e aproveitar o bom que a vida te apresenta. É transformares o não em sim!

PALAVRAS-WORDS‏


As palavras movem-se muito, são instáveis como a sombra. São mutáveis, mudam de sentido todos os dias. As palavras são rótulos que se pegam às coisas, porque essas coisas não são mais do que os nomes que lhes deste. Esse nome que hoje pode significar uma coisa porque acordaste com um pensamento e que amanhã pode mudar de significado só porque já não tens a mesma ideia. As palavras leva-as o vento transformando-as em mil palavras sem sentido, palavras difíceis mas com vida. São voos rasos de recordações que ainda não tivemos. São imagens escritas do que pode ser desenhado. São um conjunto de sons que nos podem tocar profundamente. As palavras fazem parte daquilo que fui e daquilo que sou e que serei, porque eu atribuo às minhas palavras o seu próprio significado sem quebrar a minha palavra!

VAIS ACABAR POR ME PRENDER COM AS TUAS ALGEMAS


Ainda vais acabar por me prender com as tuas algemas! Mas que crime cometi eu para que assim o faças? Ainda estou a ponderar se me vou deixar prender a ti. Por um lado apetece-me, por outro não sei, porque não me quero atirar de cabeça outra vez. O receio é grande...e gato escaldado de água fria tem medo. Mas tal como uma gata em telhado de zinco quente eu ando perto de me queimar...Está calor e as hormonas andam alteradas... Conheci-te sem te conhecer ao certo e aventuro-me por caminhos perigosos. Dizes-me que és de confiança e que posso confiar em ti. E eu? Serei de confiança? Será que podes confiar em mim? Não me vou esquecer daquela imagem. Aquela primeira que vi e que não acreditei. Mesmo quando te vi frente a frente e sem ser por fotografia. Eras um sonho real mas os nossos sonhos podem transformar-se em pesadelos.Vais-me prender pelos crimes que cometi? Só cometo crimes do coração, os chamados crimes passionais... Gosto muito, gosto tanto, adoro... Quem me dera poder ser eu a ter o poder. O poder de te cativar e de te prender. Fazer o que me apetecer de ti mas sem brincar com o teu coração... Aguardo aquele dia em que caminharemos juntos ao longo do rio. Tenho medo,não quero que me atires à água. Não quero com este calor que sinto apanhar um banho de água fria. Tenho medo mas vou esperar para ver o que acontece.Sinto-me a viajar pela máquina do tempo. Parece que estou a recuar mais de uma década. Não quero confundir o passado com o presente, nem quero pensar que estou a viver de novo algo que já vivi à muito.Mas esse sorriso, esse rosto, esse pedaço de malícia que tu tens e aquele ar de menino perdido e admirado que vi, fazem-me ficar com medo de me deixar prender a ti.

FRIENDS WILL BE FRIENDS FOREVER‏


Quem sabe até um dia! As semanas são longas quando estou longe de vocês meus amigos. Fazem-me falta. São o meu mundo de encantos, com vocês sou feliz e muito. Não há tristezas quando estou com vocês. Sim, sou feliz e por isso grito-o bem alto quando estou ao vosso lado. O destino final da nossa viagem é onde nos esperam. Eu sei que vocês me aguardam e aguardo ansiosamente para voltar a estar com vocês. Amanhã já é dia e por isso conto pelos dedos as horas que faltam. A vida é perfeita a vosso lado. Sei que posso contar com vocês e vocês poderão sempre contar comigo. É triste não ter amigos mas eu sou feliz. Só não o seria se me faltasse a vossa amizade. E esta abre caminhos. Ás vezes parece que caminhamos sós porque estamos distantes. Mas eu estarei sempre do vosso lado, mesmo quando a distancia me tanta impedir. Nada nos vai separar!

Somos uno!

Um grupo!

Uma brigada!

A felicidade que faz inveja aos outros!

Somos diferentes, somos nós, diferentes dos iguais e por isso somos felizes.

Somos os amigos esquisitos que tanta inveja fazem aqueles que dizem ter amigos normais mas que afinal não têm amigos!

AMIGOS VOCÊS SÃO O MEU MUNDO!

A ESTRELA


A noite estava escura. A lua faltava no céu e era uma noite contrária aquelas de lua cheia que tanto mexem comigo. Os candeeiros das vielas pareciam apagados. Faziam recuar séculos antes em que a madrugada era preenchida pela penumbra da luz ténue dos candeeiros a óleo. O silêncio era incomodo e às vezes o silêncio incomoda-me quando é excessivo. Ando à deriva e vagueio pela rua. Está um tempo estranho. Um misto de frio e calor ao mesmo tempo. Parece uma noite de trovoada sem raios e coriscos no céu. Este está negro e escuro. Mas quando caminho sozinha olho para o céu e vejo. Vejo uma estrela que brilha. Ilumina e dá-me esperança. Essa estrela és tu. És a luz que me faltava e que ilumina os meus passos. Finalmente estás comigo de novo. Acompanhas-me no caminho de casa e guardas-me. Proteges-me, meu protector. Sempre estiveste lá a olhar por mim. Mesmo quando eu não te via porque estavas no céu escondido por detrás de alguma nuvem. És tu. Sim tu mesmo que agora lês o meu pensamento. É bom estar de volta e ter-te de novo comigo. Que saudades tuas, meu querido. Nunca uma estrela brilhou tão forte após uma noite de trovoada. E tu sempre foste tudo. Tornaste o inalcançável possível. Escutaste-me mesmo quando com as palavras que eu dizia dilacerava o teu coração. Magoei-te excessivas vezes quando não o merecias. És o meu pilar, o meu apoio, a minha luz, a minha estrela. Perdoa-me quando te magoei. Agora sim vamos ser nós dois. As únicas estrelas a brilhar no céu!

PAZ


Sinto-me tranquila. Pensavas que me enganavas mas eu fui mais forte do que tu. Pensavas que eu tinha a esperteza dos teus vinte anos mas a minha experiência tem mais dez anos que a tua. Fazes parte do passado e eu agora sinto-me em paz. Ficaste arrumado lá no canto das coisas velhas e esquecidas que não fazem falta a ninguém. Procura o teu caminho que eu sigo que pelo meu e, por favor, não me mandes recados por ninguém que eu não quero saber de ti. Não importas e não tens qualquer significado para mim. Podes passar ao meu lado que eu nem te vejo. Não te conheço. És um desconhecido para mim. Passo ao teu lado e ignoro-te. Nem venhas tentar segredar-me ao ouvido palavras falsas que lanças a toda a gente. Então já decidiste com quem queres ficar? Porque eu bem sei que não te quero a ti. Péssima foi a hora que te escolhi. Mas na efusão da aventura fazemos escolhas erradas. Aprendemos com os erros. Eu errei, perdi mas também ganhei. Ganhei a experiência que tu não tens com os teus vinte anos. Mas estou em paz. Porque aprendi a dar valor ao que é realmente importante. Porque agora sei o que é ser feliz e isso garanto-te que não aprendi contigo. Mais ainda te digo mais. Estou em paz e este é um capitulo que vou encerrar para sempre. Não te quero, não me fazes falta e não tens importância para mim. Este é o teu fim e eu, acredita, estou mesmo em paz!

O VAGABUNDO


Andava cabisbaixa... A esperança tinha morrido pois era melhor assim. Para quê manter esperança de algo que não voltaria a acontecer? A vida estava aí. Apresentou-se a mim no outro dia e disse-me para seguir com ela. Assim o fiz. Mas há muito que não via o meu vagabundo e por isso andava triste. Ele andava sumido e eu pensava que ele tinha desaparecido. Ele pensava o mesmo de mim... Tinha andado à minha procura e nunca mais me tinha visto... Era o desencontro! Mas naquela véspera de Santo António o milagre aconteceu. Não que eu seja religiosa porque não o sou mas foi por ocasião do acaso que naquela noite nos encontramos. Por um momento esquecemo-nos que estávamos chateados. Apenas foi preciso aquele sorriso meio torcido, aquele olhar cor de mel para eu me derreter. De repente o mundo parou. No meio daquela multidão apenas restávamos nós dois. Nada à nossa volta tinha importância e bastou um cruzamento do olhar para deixarmos lá para trás no esquecimento todos os nossos problemas. Éramos felizes de novo e o mundo voltara a ser perfeito. Que saudades tinha tuas meu vagabundo. Vagabundo porque era o teu destino andar por ai a circular pela vida. E eu a pensar que tu estavas chateado comigo e tu a pensares o mesmo. Nenhum estava chateado. A falta de dialogo é que nos levou a pensar assim. Estava tudo bem e agora íamos ser felizes porque o merecíamos. O Mundo cansa-nos quando não o entendemos mas se anteriormente nele não havia compreensão agora todos os passos dados começavam a fazer sentido. Estavas diferente. Sorrias mais para mim. Mostravas mais carinho e mais saudade, embora também o fizesses antes. Mas agora estavas diferente. Mais tranquilo. As saudades fizeram-nos bem, fizeram-nos sentir a falta que o outro nos faz. As vezes nada melhor que um pequeno desentendimento para compreendermos a falta e importância que a outra pessoa nos faz. Tinhamos percebido isso. Ainda estávamos a tempo de ser felizes. Sentimos a falta um do outro e isso fez-nos bem. Agora sim o mundo sorria ao nosso lado. E tu meu vagabundo, aquele que troquei pelo príncipe encantado que não existia, estavas de volta a minha vida. Porque tu sim, eras a minha vida!

I MISS YOU


Não sei se vais ler o que te estou a escrever, apenas sei que gostaria muito que o lesses e que me respondesses ao mesmo.
Deves estranhar eu estar a escrever-te passado tanto tempo. Não sei nada de ti. Há anos que não falamos e nem sei se ainda te lembras de mim. Eu não te esqueci, sempre te disse que nunca te ia esquecer independentemente do que acontecesse na minha vida…
Vou mudar de casa! Ando na fase de mudanças e enquanto estava a encaixotar algumas coisas encontrei as cartas que trocávamos. Todas as que tenho. Inclusivé os mails. Nunca as deitei fora nem faço questões disso. Podes achar-me ridícula mas vão acompanhar-me para o resto da minha vida. São a única coisa que guardo de ti para além das recordações e das memórias dos bons e dos maus momentos que passei ao teu lado e longe de ti. Sempre estiveste no meu coração. Ontem estive a lê-las. Uma a uma e recordei coisas que já pensava ter esquecido. Confesso que mexeu comigo. De tal forma que nem sei o que sinto hoje… Disseste-me que ias para longe e que ficarias 5 anos sem vir a Portugal mas é como se te sentisse próximo de mim. Sinto-te perto, não sei explicar…
Acho que preciso de te justificar a minha atitude no nosso ultimo encontro. Devo-te pelo menos isso. Acho que iria explodir se não te escrevesse tudo isto por isso gostaria muito que tivesses oportunidade de lê-lo. Sei também que já deves ter refeito a tua vida e que eu neste momento sou apenas uma mera recordação mas sinto que se não te disser tudo o que me vai na alma me irei arrepender para sempre.
Quando apareceste em minha casa naquele dia senti que foi uma despedida. Não sei se pretendias que te pedisse para ficar, para não ires para longe de mim. A minha vontade era que ficasses comigo para sempre mas isso nunca vai acontecer…O nosso futuro juntos nunca dependeu de mim, apenas de ti. Não te podia nem nunca pude pedir nada. Não era justo prender uma ave que voa livre. Se quisesses realmente ficar comigo não era preciso eu falar, bastava entenderes o meu silêncio…
Não era justo pedir-te para abandonares todos os teus sonhos. Para mim foi mais fácil deixar-te partir do que pedir-te para que ficasses comigo, como era o meu desejo, e no fim disseres que tinhas mesmo de ir.
Tu foste. Essa foi a tua escolha. Nunca foi a minha. E eu perdi.
Não sei mais o que dizer. Sinto-me confusa mas depois de ler aquilo tudo foi como se voltasse ao ano de 98 e aos anos seguintes. Nunca achei que desperdicei a minha vida enquanto estive ao teu lado. São memórias que vou guardar para sempre…
Espero que leias esta mensagem e se possível que me respondas… Não te posso pedir nada mas é apenas o que desejo: uma resposta.

Beijos.

Espero sinceramente que estejas bem e feliz.


S.

A SAGRADA FAMÍLIA


Nunca fui religiosa mas sempre dei valor à Páscoa. Não pelo significado em si, mas por ser uma altura em que a minha família se reúne.
Recordo-me de ser criança e de entrar no quarto da minha tia. Lá estava a Sagrada Família a olhar para as nossas brincadeiras. Como nos divertíamos na nossa inocência sem nunca deixarmos de ouvir as reprimendas da minha avó quando abusávamos e ela estava sempre a ralhar… Não gostávamos dela por causa disso, mas quem é a criança que gosta de ouvir sermões!
Este ano foi diferente. Talvez por já não ser uma criança. Já sou adulta embora sem vontade de o ser. Este ano entrei lá, não no quarto onde se encontra a Sagrada Família, mas sim no local onde agora a família passa o seu Domingo de Páscoa reunido. Entrei, cai no erro de a procurar. Ela não estava lá. Não estava na cadeira onde sempre se costumava sentar. Não, não se encontrava, não estava lá sentada no sitio do costume. Tinha partido há 6 meses e eu não me lembrei. Ainda estou tão habituada a tê-la ao pé de mim. Parece que foi ontem. Ainda a procuro todos os dias quando chego. Parece que ainda a vejo ali, a ralhar connosco. Mas ela não está lá. Já só cuida de nós lá de cima, daquele lugar que ela acreditava que existia. Eu não acredito nele, mas quero acreditar que ela olha por mim, que cuida de mim…
Sinto tanto a falta dela. Até dos seus sermões sem sentido sinto saudades. Porque só sentimos a falta de alguém quando a perdemos? Eu sei que sou egoísta! Ela já estava a sofrer mas mesmo assim eu não a queria longe de mim. Agora entendo o quanto ela gostava de nós. As palavras meigas escondidas atrás das reprimendas. O seu mau feitio, sempre rabugenta e sem paciência, tão similar a mim!!!
Mas ela preocupava-se. Agora sei o quanto a amava e ela me amava a mim.
Sinto saudades tuas avó e só me apetece chorar.