domingo, 4 de abril de 2010

PÉS


Com eles caminho. Sigo pelos trilhos tortuosos da vida mas com a coragem de dizer que foram esses que eu escolhi.
Ando.
Vagueio pelo incerto e perco-me na esperança de uma alegria.
Adoro perder-me e voltar e encontrar-me.
Adoro esta sensação de andar de montanha russa mas com os pés bem assentes na terra.
Adoro caminhar descalça. Sentir todos os relevos do chão sem ter medo de me cortar nos vidros das memórias que ali se registaram.
Gosto de sentir o chão, a relva macia, a pedra fria e a areia quente. Assim, caminho pelo destino sem vontade de me calçar porque gosto de sentir as coisas.
Talvez um dia me coloquem um sapatinho de cristal mas eu não quero sentir-me presa e não quero com os meus pés deixar de sentir o chão.

ARREPIO


Sinto um arrepio na espinha. Será frio? Será um pressentimento que me trespassa? Será uma alma penada que vem ter de encontro com a minha? Ou será apenas o meu medo a percorrer-me o corpo? Mas medo do quê se já nada me assusta? Medo de te perder ou de me perder nos enleios do teu corpo?
Muitas perguntas e nenhuma resposta!
Que arrepio este!
Dá-me vontade de rir. Hoje estou assim sorridente, a sentir-me abençoada pela vida e feliz por ser como sou. Estou cansada das tristezas e das pessoas tristes. Tristes não porque têm uma tristeza profunda mas porque desperdiçam a felicidade com a sua insegurança e com medo de serem felizes. Essas pessoas instáveis, essas sim causam-me arrepios…
Como me apetece rir hoje, dar gargalhadas até mais não. Rir-me do ridículo dos outros que têm medo de ser felizes e de sorrir. Eu também já fui assim e de que é que me valeu? Não ganhei nada com isso, só perdi, mas porque avancei hoje sou feliz, muito feliz e rio porque tenho vontade.
Vou correr riscos, vou ser feliz sem ter medo de arriscar porque a vida é feita de conquistas, vitórias e derrotas.
Vou arrepiar-me, não vou voltar a ter medo, vou sorrir e ser feliz, muito feliz!